sábado, 15 de março de 2014

PERVERSÃO MORAL




D. M. Lloyd-Jones

Ai daqueles que ao mal chamam bem e ao bem, mal, dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas; que mudam o amargo em doce e o doce em amargo
(Isaías 5:20)

É da essência do entendimento desta mensagemtanto do capítulo todo quanto do v. 20 em particularque nós entendemos que era uma mensagem para o período em que foi dada. O profeta, deixe-me lembrar-lhe, foi levantado por Deus para dirigir-se aos seus contemporâneos, à nação de Judá, em tempos particularmente sérios. Esta nação existira por muitos anos. Criada por Abraão, agora, no século VIII antes de Cristo, as coisas estavam começando a ir mal, perigosamente erradas. A nação estava face a face com a calamidade, e Deus levantara um profeta para avisar ao povo que, se não se arrependessem, não se voltassem para Deus, não teriam nada além de ruína.
Mas como vimos, estamos vivendo em uma era e em uma geração que corresponde muito exatamente à que está descrita aqui. Além disto, de acordo com o ensino da Bíblia, homens e mulheres, desde que caíram e desobedeceram a Deus, têm sempre sido pecadores em todas as eras e em todas as gerações. Maseste é o princípio – existem épocas e tempos quando eles se tornam excepcionalmente pecadores, ou quando seu pecado fica particularmente evidente.
Não se pode ler a Bíbliaum livro de história e ao mesmo tempo de grandes ensinamentossem notar que existe um extraordinário tipo de periodicidade a esse respeito. Você encontrará eras em que os israelitas estavam certamente vivendo uma vida não perfeita, mas ainda assim comparativamente bem. Existem, porém, outros pecados relevantes quando, como vimos, eles pecaram violentamente, com tirantes de carroças, e a situação se tornou desesperadora. Em outras palavras: às vezes o pecado parecia levar a um terrível clímax; e àquele clímax, invariavelmente, seguia-se a calamidade.
Ao dizer isto estou fazendo uma simples observação histórica. Nota-se esse tipo de curva no gráfico da história da humanidade, quando se lêem o Velho e o Novo Testamentos, e exatamente o mesmo é encontrado quando se segue a subseqüente história da humanidade. Tome, por exemplo, o relato que a Bíblia faz da destruição do mundo pelo Dilúvio. Isto é o que ela nos diz. O filho de Adão e Eva, Caim, começou a pecar; sua descendência continuou do mesmo modo, e, assim, o pecado foi aumentando. Ele alcançou um ponto tal, tornando-se tão feio e repulsivo que Deus falou à raça humana: "Meu Espírito não contenderá com o homem" (Gênesis 6:3). Então, ele levantou um homem, Noé, para avisar à humanidade que, se eles não se arrependessem, seu mundo seria destruído. Aquela geração era formada pelos que pecavam com toda a vontade, desafiando Deus com uma arrogância incomparável. A isto se seguiu a calamidade do Dilúvio.
Outro exemplo tem relação com a Torre de Babel. Ali, outra vez o pecado da humanidade alcançou tais proporções que Deus desceu e confundiu suas línguas, destruindo a Torre que eles estavam tentando erigir. Novamente, isto levou a uma situação desastrosa. E aqui, nesta parte do livro de Isaías que estamos considerando, temos outro exemplo notável da mesma coisa. Aqui, estava Judá pecando do modo que Isaías descreve, levando a uma orgia final, e, novamente, seguido de calamidade. Os caldeus e os babilônios se levantaram, reuniram seus exércitos, vieram e saquearam a cidade de Jerusalém, levando a maioria dos judeus como escravos para a Babilônia. Esse terrível período de pecado, mais uma vez, levou a uma tremenda calamidade.
Vê-se exatamente a mesma coisa no tempo de Jesus Cristo. Os judeus novamente começaram a pecar de um modo excepcional. Apesar dos avisos de João Batista, e dos avisos do próprio Filho de Deus, eles não deram ouvidos. Não obstante a subseqüente pregação dos apóstolos, continuaram, desesperadamente, em pecado, e, mais uma vez, isso levou exatamente ao mesmo resultado. No ano 70 A.D. o exército romano cercou a cidade de Jerusalém, conquistou-a e saqueou-a, arrasando-a até os alicerces, e os judeus, como nação, foram espalhados entre as outras nações.
Essas são ilustrações deste princípio claramente ensinado na Bíblia, de que, embora homens e mulheres sejam sempre pecadores, existem tempos em que o pecado excede a si próprio. A situação enlouquece, e as pessoas pecam de uma forma tão desesperada, desafiando Deus em uma arrogância tão blasfema, que isto as leva a um período que chega a ser indescritível em seu horror. A Bíblia nos ensina que, nesses tempos, Deus retira seu poder, permitindo que os seres humanos se afundem em sua iniqüidade, e então os visita com punição na forma de um terrível desastre. Ele, porém, nunca faz isto sem, antes, avisar. Ele sempre envia seus profetas, seus mensageiros para falarem ao povo individual e coletivamente.
Nesses tempos, nada é mais proeminente no comportamento da raça humana do que o elemento revelado neste versículo que estamos examinando: o elemento da perversão moral: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal; dos que transformam as trevas em luz e a luz em trevas; dos que mudam o amargo em doce e o doce em amargo!" Em todos esses períodos na história da humanidade, quando o pecado toma conta, esta é, invariavelmente, a característica mais pronunciada. E ela se apresenta diante de nós forçosamente aqui, neste versículo. E é assim, infelizmente, porque este é o elemento mais proeminente na vida do mundo moderno para o qual estou chamando a sua atenção.
À luz do que é demonstrado tão claramente pela história, existe alguma coisa que requeira nossa consideração tão urgente? Alguma coisa mais imporia diante disto? Ao lado disto, que significado tem a maior conferência entre homens de Estado? Se isso é verdadeiro, então estamos numa posição desesperada. Se a lei da história é verdadeira, a menos que nos arrependamos e nos voltemos para Deus, só há um final: calamidade. Então, vamos examinar o ensino das Escrituras com relação a este assunto.
Em primeiro lugar, devemos considerar as características desta situação. O princípio é sempre o mesmo, mas quero colocá-lo particularmente na sua expressão moderna. Pecado é sempre pecado, mas existem graus de pecado. Ele pode aparecer em diferentes formas e aparências. Algumas vezes, homens e mulheres pecam e ficam envergonhados. Esta é uma situação de pecado. Mas existem outras ocasiões, como já vimos no nosso estudo prévio, quando as pessoas não mais sentem vergonha; elas pecam abertamente; elas orgulham-se do pecado e, até mesmo, gabam-se dele. Esta é uma condição diferente.
Existe, porém, algo além disto. Épocas há, nas quais as pessoas não parecem ter absolutamente nenhum senso de moral. Isto é válido não apenas de uma forma geral mas, também, individual. Todos conhecemos indivíduos que pecaram e estão envergonhados. Espero que todos experimentemos essa vergonha. Também conhecemos aqueles que pecaram e não estão envergonhados. E podemos, até, conhecer indivíduos que perderam por completo seu senso de moral, que não parecem saber a diferença entre o certo e o errado. Eles são amorais, imorais.
Mas existe algo ainda pior que isso – e é o que está descrito neste versículo –,  a saber: a condição de perversão. Porque ser pervertido é pior que ser imoral. Ser imoral é, de alguma forma, ser negativo, mas os pervertidos foram além da imoralidade e estão em uma posição na qual revertem moralidade e colocam mal por bem, e bem por mal; trevas por luz e luz por trevas; amargo por doce e doce por amargo. Esta é uma posição na qual eles derrubaram todos os padrões. É uma reversão positiva, deliberada, do que antes era mais ou menos universalmente aceito.
Isto é algo que pode ser visto em indivíduos, em nações, em grupos de pessoas e às vezes na vida de toda a comunidade mundial, como tenho demonstrado pelas Escrituras. Neste estado, homens e mulheres viram tudo de pernas para o ar, andam de cabeça para baixo e se gloriam no fato de que estão agindo desta maneira. Aquela era a situação do povo vivendo em Jerusalém quando Isaías se dirigiu a eles nesta profecia e lhes avisou que, a menos que se arrependessem, não poderiam esperar nada além de um desastre.
Isto não é igualmente válido para hoje? Esta não é uma das mais óbvias características destes anos nos quais estamos vivendo? Não é este elemento de perversão a maior e mais relevante característica do nosso tempo, este virar de cabeça para baixo, a inversão de tudo que era comumente aceito e reconhecido? Isto pode ser ilustrado em quase todos os campos; é uma situação muito persuasiva. Você a encontra em todas as artes onde o belo é freqüentemente desprezado, forma e linha não são reconhecidos e o feio é entronizado.
Mas esta perversão de padrões é muito mais séria, claro, quando se chega ao campo moral. Hoje, a grande palavra sobre a qual as pessoas se gabam é "a nova moralidade". Esta está sendo ensinada abertamente. Em dezembro de 1962, o professor Carstairs apresentou suas famosas palestras: a série Reith, na qual atacou diretamente a moral tradicional e pronunciou o que foi, então, chamado de "a nova moralidade", advogando experiências sexuais antes do casamento e também experiências extramaritais. E essa liberdade-libertinagem não se limita ao professor Carstairs. Existem, também, outros que não hesitam em escrever livros e artigos e aparecer nos programas de televisão, introduzindo esta nova moralidade que nos diz que o que até aqui foi visto como pecado não é pecado. Na verdade, eles concordam em que é errado condenar essas coisas, por serem uma forma de auto-expressão...
Somos, assim, confrontados não apenas por um ataque à religião mas, também, à moralidade num todo. E o ataque é direto e diário! Na verdade, vai além disto. Existem aqueles que ainda atacam a mente do homem. Esta é a essência da posição de D. H. Laurence. Ele disse que todo o problema com a raça humana é que ela pensa muito e o cérebro se desenvolveu demais. Assim, o segredo do sucesso e da felicidade na vida é deixar que a parte inferior governe e tome o controle; é o "de volta à natureza". É um ataque à mente e a tudo por cujo meio exercemos discriminação e controle. Na verdade, para resumir, é em, última análise, a ridicularização do controle, da disciplina e da decência. É um apelo para que façamos tudo o que quisermos fazer, e dispensemos qualquer idéia de decência, ordem e respeito.
Deixe-me dar um exemplo. Aconteceu de eu ler a manchete de um jornal que me levou a ler a crítica de uma peça que estreara em Londres. Isto é o que um crítico muito conhecido disse: "Há uma década, este tipo de choramingo de espuma de sabão deve haver parecido na televisão bravo e realista. Suas homilías sobre a infidelidade e a santidade da família têm tons de moralidade de classe média, e parecem, ao mesmo tempo, antiquadas e puritanas." Veja onde chegamos! Aparentemente, esta era uma peça que há dez anos teria sido considerada corajosa e chocante. Hoje, porém, qualquer tentativa, mesmo singela, de defender a moralidade ou fazer referência aos equívocos da infidelidade, e à santidade da família, como uma unidade da sociedade, é algo rejeitado com grande desprezo, como "moralidade de classe média, que parece, ao mesmo tempo antiquada e puritana".
Em um certo sentido, é uma perda de tempo ler essas críticas; em outro sentido, não é. Eu leio a crítica de filmes e dramas e é isso o que observo. Se houver qualquer elemento de decência em um filme ou em uma peça, ele é dispensado e ridicularizado. A única coisa louvada é o pervertido, o que apresenta o anormal e feio, ou que contenha algo mais ou menos repulsivo. Este parece ser o padrão universal, e, se houver algum elemento de romance ou de beleza, é para ser ridicularizado.
Esta é a situação que nos está confrontando, e você deve haver notado algo mais. Você já notou a tendência atual de ser mais simpático em relação ao criminoso do que à pessoa que sofre em suas mãos? As pessoas fazem abaixo-assinados a seu favor, dizendo que precisam receber uma segunda oportunidade, e que não deve ser tratado tão duramente.
O mesmo se aplica aos pervertidos. Nós quase chegamos ao estágio em que não ser pervertido é anormal. O pervertido é glorificado. Não há nada tão maravilhoso como o amor dos pervertidos!
Tudo pode ser resumido em uma frase que tem sido o slogan desta geração: Mal, seja o meu bem. "Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal..." Isto é precisamente o que está acontecendo em tantos países, em círculos culturais e educativos, entre intelectuais e aqueles que se proclamam líderes da sociedade. Não é uma repetição exata dos dias de Isaías? Ou, quem sabe? até muito pior.
Qual é o argumento que os devotos dessa perversão apresentam para defendê-la? Eu, obviamente, não posso lidar com isto adequadamente. Estou tentando dar uma olhadela na situação. Uma das grandes correntes de justificativa para tudo isto diz que de qualquer forma isto não é hipocrisia. Hipocrisia é vista como a pior coisa concebível; e esta é a resposta a ela: perversão!
Ninguém, claramente, quer defender a hipocrisia. Não há nada que possa ser dito, enfim, em sua defesa; mas o derradeiro provedor de máximas, o francês Conde de la Rochefoucauld, disse uma verdade sobre ela: "A hipocrisia é a homenagem paga pelo vício à virtude", e esta é uma afirmativa muito profunda. Em outras palavras: um hipócrita é alguém que sabe que está errado e tenta esconder seu erro, fingindo que não o praticou. Ele reconhece a moralidade e ele mesmo, de alguma forma, paga tributo a ela. Ele não é um pervertido. Isto é o que se pode dizer da hipocrisia. Desta forma, existe sempre esperança para o hipócrita; ele é uma pessoa que distorce as coisas, mas, pelo menos, sabe que está errado.
O segundo elemento na justificativa da nova moralidade, ou a argumentação apresentada para defendê-la, é que é certo questionar a existência de qualquer padrão moral externo, objetivo, universal. Até agora a humanidade em geral tem crido que exista tal padrão. Às vezes, eles o chamam de "lei natural", e ela tem sido mais ou menos reconhecida em todas as sociedades, cristãs ou não. Vivemos, porém, numa era em que isto está sendo seriamente questionado. Ouvimos de alguns filósofos do momento que não existe essa coisa como um padrão de moral externo: cada homem tem o seu. O que eu acho certo é moral para mim, e, se faço algo que você julgue errado, isto não imporia: devo agir de acordo com meu próprio padrão e interior. E assim é. Cada homem se torna lei para si próprio e faz o que bem entende e o que cisma que vai fazer, e o que acredita ser certo.
Um outro ponto muito grave é que essas pessoas estão questionando toda a categoria do natural, ou do normal. A Bíblia faz uma grande questão deste ponto. Por exemplo: lê-se em II Timóteo 3:3: "sem afeição natural". Do mesmo modo, tem-se esta afirmativa crucial no capítulo 1 de Romanos, onde Paulo, em seu grande indiciamento da era em que viveu, e de outras eras, usa este tipo de linguagem: "De igual modo, também os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam em seu desejo uns pelos outros, praticando torpezas, homens com homens, e recebendo em si mesmos a paga da sua aberração" (v. 27), e assim por diante. O mesmo, diz ele, acontece com as mulheres. Mas o termo que ele usa é "natural".
Hoje, isto está sendo posto em dúvida. Dizem-nos que não devemos usar este termo. Eles nos perguntam: "Que você quer dizer com 'natural', e 'normal'?" E acrescentam: "Que para você significa 'natural'?" Mas se outro homem é diferente, então é natural para ele. Em última análise: não há diferença entre os sexos e não existe essa coisa como "natural". E, assim, este comportamento é justificado mediante o questionamento das diferenças naturais entre homem e mulher, e o desejo natural da mulher pelo homem e do homem pela mulher. Na verdade, tudo está sendo negado, e o que se diz é que pode ser "natural para um homem desejar outro homem, e uma mulher desejar outra mulher". Todos os padrões se foram porque a categoria do natural não é mais reconhecida.
E, é claro, acima de tudo as pessoas dizem que não existe essa coisa como pecado, e isto porque não existe Deus. Se não existe nenhum cânon moral universal, então não há pecado. Na verdade, não existe crime. Nas cortes, cresce o número de pleitos por "responsabilidade reduzida" ou "responsabilidade diminuída". Que isso significa? Um médico aparece na corte e diz: "Este homem fez isto – já admitiu –, mas eu estou aqui para declarar que ele não podia deixar de havê-lo feito porque ele é do jeito que é; é constituído de uma forma tal – física e biologicamente – que não pôde evitá-lo." Assim, não há pecado nem crime; tudo passa a ser uma questão de tratamento médico. Todos os padrões se foram para sempre. Eu entendo, óbvio, que existem casos registrados nos quais o pleito de "responsabilidade diminuída" seja válido, mas eu estou protestando contra a tendência de universalizar o excepcional.
Então, positivamente, a justificação do malfeitor toma a forma de culto de auto-expressão. Dizem-nos o seguinte: "Você tem esses poderes dentro de você, então certamente você deve usá-los. Eles não devem ser reprimidos e restringidos. Por que você acha que os recebeu? Por que eles se encontram em você? Libere-se! Expresse-se!"
Então, vem o argumento do amor contra a castidade. O problema no passado, dizem, é que a castidade é vista como uma coisa maior que o amor. Mas o amor é o que realmente importa; a castidade vem em segundo lugar. Se houver amor, não faz diferença se um homem ama um homem ou uma mulher sexualmente. Não temos que nos preocupar com moralidade e castidade. A única coisa que interessa é o amor. Desta maneira, tem-se toda a confusão, toda a promiscuidade e as perversões de hoje.
Meu problema é mostrar o equívoco de tudo isto de uma forma breve. O Senhor coloca a questão da seguinte forma:
Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração e com toda a tua alma, de todo o teu entendimento, e com toda a tua força: este é o primeiro mandamento. E o segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Marcos, 12:30,31).
 Se você olha por este lado, não vai querer justificar tudo que faz dizendo: "Ah, eu amo''. Você reconhecerá que pode haver cobiça, e que você não deve magoar a outra pessoa. Você reconhecerá que a outra pessoa é alguém aos olhos de Deus, que Deus está acima de ambos e que vocês não são animais mas seres responsáveis diante do Deus Todo-Poderoso, que espera que vocês vivam uma vida mais elevada e nobre. Você entenderá que sendo assim deve disciplinar-se e controlar-se, e que você expressa seu amor ao considerar seu vizinho como você próprio, levando-o em consideração, e nem sempre colocando seu desejo de autogratificação em primeiro lugar.
Consideramos até aqui os argumentos que se apresentam em favor da nova moralidade, e vimos que são todos falsos. Desta forma, eles não fornecem a explicação para a conduta moderna.
Não, a resposta é muito simples para aqueles que conhecem sua Bíblia. A primeira coisa que a Bíblia tem a dizer é que não há nada novo sobre a "nova moralidade". Ela é tão velha quanto o período antes do Dilúvio. Tão velha quanto Sodoma e Gomorra – daí alguns termos usados hoje. Ainda assim o homem do século XX se gaba de seus avanços. Uma nova moralidade? Ela é tão velha quanto o pecado! A Bíblia conhece tudo sobre ela, e pode ensinar-lhe mais sobre ela do que a maioria dos livros modernos. Tudo está definido e analisado ali. Não só isso – e para mim isso é o mais impressionante –, mas a Bíblia na verdade profetiza que este tipo de coisa vai acontecer, que ocorrerá de tempos em tempos.
Outra vez, para aqueles que conhecem sua Bíblia não há nada extraordinário sobre a situação presente. Eu não estou nem um pouco surpreso com o fato de os homens e mulheres do século XX, com toda a sua sofisticação, estarem-se comportando do jeito que estão. A Bíblia afirma que isto aconteceria. Você já leu, em Lucas 17, a profecia de Jesus Cristo sobre os últimos dias? "Como foi nos dias de Noé, assim também será (...) Como foi nos dias de Ló (...) assim também será (...)" (Lucas 17:26-30). Tudo está predito. Seja lá o que você fizer, se você for um seguidor da assim chamada nova moralidade, você não estará fazendo nada novo; sua moralidade é muito velha. Na verdade, como alguém já disse: "A nova moralidade não é nada além da velha moralidade tentando se aperfeiçoar em termos filosóficos".
Mas a Bíblia pode dizer-lhe por que ela ressurge e por que as pessoas se comportam deste modo. E isso é que é importante. Por que estamos sendo afligidos por tudo isso em nossos dias? Por que nos defrontamos dia a dia com este horror? Aqui estão as respostas bíblicas. A principal explicação é que o pecado não pode nunca satisfazer, nunca. Ele finge, apenas. Ele diz: "Só uma vez..." Mas você nunca pára em uma vez. O pecado nunca satisfaz, e as pessoas ficam assim cansadas de seus pecados em particular, e querem mais. Quando se cansam do espectro completo dos pecados conhecidos, inventam outros diferentes, e torcem e pervertem.
A perversão é sempre uma prova da falha do pecado em se satisfazer. É um tipo de exaustão. Conheci um caso muito trágico de um médico que se tornou viciado em drogas. Eu me lembro de haver perguntado ao coitado, que foi meu colega de classe: "Como você entrou nessa?" E ele me disse que seu problema sempre fora o fato de ser um alto consumidor de álcool, mas chegara a um ponto tal que a bebida não mais fazia efeito. Contudo ele necessitava experimentar sempre aquela sensação. Então, com a falha da bebida começou com as drogas. É por essa razão que existem milhares de miseráveis e infelizes viciados neste país. O pecado sempre pressiona para algo além, e quando os caminhos normais do pecado não mais satisfazem as pessoas se voltam para o anormal. É apenas a manifestação da falha do pecado em satisfazer verdadeiramente.
Mas existe uma segunda razão. Você já notou o aspecto contraditório e pouco inteligente dessas perversões? Aqui temos homens e mulheres, por um lado se gabando de seus grandes avanços, de seu conhecimento, desprezando seus ancestrais de 100 ou 200 anos passados, e ainda mais os de mil ou 2 mil anos antes. Aqui está a moderna sociedade do alto de seu conhecimento, sofisticação e desenvolvimento – quão maravilhosamente deixou todas as prévias gerações para trás! Dizem que as pessoas são inteligentes demais para serem cristãs!
Mas agora olhe para eles por um outro lado, onde D.H. Lawrence denuncia o super desenvolvimento de uma parte do cérebro, e diz que eles pensam demais e que o caminho para ser feliz neste mundo é parar de pensar e ir em frente.
Não apenas isso, mas apesar de todo o orgulho quanto ao seu grande desenvolvimento, para onde vai a sociedade em termos de música e artes? Está voltando à selva, retornando aos desenhos nas paredes das cavernas. Isso são fatos. As duas coisas, porém, não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Se a melhor música é a música do analfabeto e sem educação, onde está a sofisticação? Ser sofisticado hoje é voltar ao primitivo, às origens, ao elementar. E o mesmo é óbvio em todos os outros aspectos. Isto é surpreendente, posto que não é inteligente. Este é o elemento contraditório que é sempre encontrado no pecado: ao mesmo tempo em que as pessoas estão-se gloriando de estar à frente de todos os outros, na realidade, estão de volta ao começo.
Mas há algo ainda mais profundo sobre tudo isso. Olhando do ponto de vista psicológico, creio que tudo isto é resultado de uma consciência sem paz. É o fato de as pessoas estarem tentando sufocar a consciência, fazer frente a ela. É medo e infelicidade; é não-paz.
Um outro fator, e para mim o mais importante de todos, é que tudo o que estamos testemunhando é, em última análise, decorrência de uma falha em entender a verdadeira natureza do homem e da mulher, a natureza e o sentido da vida, seu fim e propósito.
Não estou dizendo tudo isto por mera crítica. Sou um pregador do Evangelho, e estou interessado nisso porque desejo que as pessoas sejam salvas e livres de tudo que é mau, e recebam a verdadeira felicidade em Cristo. Estou apresentando estes argumentos com a finalidade de ajudar. Creio que a principal causa da tremenda perversão moderna é a frustração e o vazio. Em um certo sentido, não condeno as pessoas. Vivemos neste século assustador, depois de havermos passado por duas guerras mundiais, e as nações ainda estão empilhando armamentos. Então, os jovens são tentados a perguntar: "Que é a vida? Que é viver? Quem sou eu? Sou eu apenas bucha de canhão? Estou aqui apenas para ser explodido por uma bomba? Eu quero experimentar; quero descobrir. Talvez eu não esteja aqui por muito tempo. Por isto quero aproveitar o máximo da vida enquanto estou aqui..."
Os homens e as mulheres modernos estão perdidos; não se conhecem; não sabem que são seres feitos à imagem de Deus; não sabem como usar a mente e o cérebro; não percebem que são diferentes dos animais. Ignoram que não foram feitos para serem criaturas cobiçosas, e, sim, para refletir algo do próprio Deus eterno. Esta é a causa do problema – as pessoas desconhecem isto, razão por que se comporiam dessa maneira –, o que é um insulto a si mesmas.
Então, acima de tudo isto, eis uma demonstração sensacional do que a Bíblia quer dizer quando fala sobre o poder do pecado: o fato de que o pecado é algo que prende e escraviza pessoas, fazendo delas seus servos. Porque o diabo, o inferno e o pecado são muito poderosos. Que coisa malévola é o pecado! Deixe que ele se desenvolva e você verá até onde o levará, não meramente ao pecado e à vergonha, mas ao pecado e à ausência de vergonha, à total falta de conceito moral. Segue-se a perversão: luz, trevas, trevas, luz; amargo, doce, doce, amargo; e toda a falsidade e as conseqüências que se seguem.
Ao mesmo tempo, o estado do nosso mundo atual mostra que o problema real com o ser humano está no coração. Nosso Senhor disse tudo: "Esta é a condenação, que a luz veio ao mundo e os homens amaram as trevas mais do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19). Se você é um seguidor da nova moralidade, isso não acontece por causa da sua cabeça, e sim do seu coração. Eu já mostrei que você não é governado por sua cabeça. Se isso fosse verdade você não se estaria contradizendo a si mesmo, como faz. Seu problema está no coração – você gosta do pecado, é cobiçoso, tem um coração mau. Esta é a verdadeira explicação para tudo isso.
Deixe-me fazer-lhe uma pergunta. Qual é o fim para o qual tudo isso invariavelmente leva? Já demos resposta a essa pergunta. Leva ao dilúvio, à destruição de Sodoma e Gomorra, ao saque de Jerusalém e ao povo de Israel levado como escravos para a Babilônia. Leva ao ano 70 A.C, e à dispersão dos judeus entre as nações. Sempre levou e sempre levará.
Tome a história secular. Vimos que isso mesmo foi a causa do declínio e da queda do grande Império Romano. Roma caiu porque apodreceu em seu coração. Um abscesso se formou e os cidadãos de Roma se tornaram imorais e pervertidos. Roma decaiu a partir do centro, e os góticos e vândalos vieram e a conquistaram como resultado direto. E esta foi a causa do declínio e queda, desde então, da maioria de outros impérios. As autoridades que escrevem sobre isto dizem que as sociedades antigas perderam sua força e poder quando os padrões morais relaxaram. É sempre a mesma coisa. Uma vez que o povo perde sua compreensão moral de si mesmos e da vida, toda a sua força, politicamente, militarmente e em todos os outros aspectos, se vai. Eles relaxam em seus banhos, cometem suas fornicações e adultérios e permitem que seus impérios se arruínem.
Mais uma vez, recordo as palavras solenes do Filho de Deus: "Como foi nos dias de Noé, assim será (...)" (Lucas 17:26). Antes de que venha o julgamento final, diz ele, é assim que eles estarão vivendo; estar-se-ão se divertindo e dando-se em casamento, comendo e bebendo, comprando e vendendo. Eles o fizeram antes do Dilúvio, e antes de Sodoma, e farão uma vez mais antes do fim. É isto que faz com que nossa situação atual seja tão alarmantemente séria. Embora o homem moderno não creia em Deus, e não acredite em padrões morais; ainda que ele não creia em nada, exceto nele mesmo e em seus próprios desejos, isso não afeta a situação em nada. Deus ainda está no céu ; Ele ainda é Todo-Poderoso e continua a ser o "Juiz Eterno". Deus ainda trará a história a uma conclusão com um julgamento e a destruição eterna de todo mal e erro. O diabo e todos que pertencem a ele serão lançados no lago da perdição sem fim.
"Nos últimos dias", diz Paulo, "tempos difíceis virão. Os homens serão egoístas, gananciosos, jactanciosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos pais (...)." Você vê pelos jornais isto acontecendo todos os dias; o Novo Testamento está bem atualizado: "...ingratos, iníquos, sem afeto, implacáveis, mentirosos, incontinentes" – não podendo controlar-se. Eles afirmam: "Eu não posso evitar, sou um animal..." E diz mais o apóstolo: "...inimigos do bem, atrevidos, enfatuados". Ou seja: eles debocham da moralidade (II Timóteo 3:1-3).
Sim, ali estava acontecendo no primeiro século A.C. Eles desprezavam essa "moralidade de classe média": tão puritana, tão certinha e arrumada. Cuspiram nela; riram dela. Homens e mulheres que são fiéis no casamento, que crêem na família, que se restringem a si próprios: quão puritanos! Que piada! Que atraso! Que fora de moda! Imagine ainda se crer nisso! Sim, eles desprezam aqueles que fazem o bem, são "traidores, enfatuados, atrevidos, mais amigos dos prazeres do que de Deus" (II Timóteo 3:3,4). Estas são as condições que sempre prenunciam calamidade e desastre, sofrimento e dor. É, pois, no nome de Deus que peço a vocês que considerem essas coisas à luz deste pronunciamento, e à luz do que Deus fez invariavelmente no passado.
Então, aqui está o diagnóstico bíblico. Existe alguma esperança para esse povo? Existe uma mensagem para este mundo do jeito que está? Existe algo a se dizer a esses "novos moralistas", aqueles que exultam e se gloriam na perversão e ridicularizam a moralidade e a santidade? Graças a Deus tenho um glorioso Evangelho para eles. Já houve, antes, no mundo pessoas como essas, como já vimos. O apóstolo Paulo escreve aos cristãos na Galácia: "Não se deixem enganar, de Deus não se zomba" (Gálatas 6:7). E à igreja em Corinto ele diz que certas pessoas nunca terão uma herança no reino de Deus. Quem são elas? Ele dá uma lista terrível: "Não se deixe enganar: nem fornicadores, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas (...) nem os bêbados, nem os mentirosos (...) herdarão o Reino de Deus" (I Coríntios 6:9,10). Eles estarão de fora. Nada impuro pode entrar no reino de Deus, porque "Deus é luz, e nele não há trevas algumas" (I João 1:5). Não há impureza no céu. Tudo ao redor de Deus é gloriosamente puro, limpo, saudável, lindo e verdadeiro. E homens e mulheres nessa situação de impureza não têm herança no reino de Deus.
O problema, então, está no coração das pessoas. Pode-se fazer algo por elas? Bem, elas não conseguem fazê-lo por si mesmas, porque não se pode mudar o próprio coração. "Pode o etíope mudar a sua cor, ou o leopardo suas manchas?" (Jeremias 13:23) Não podem. Você não pode dar-se um coração limpo; você não pode renovar a sua natureza.
A mensagem da santa Bíblia, porém, é a de que Deus pode. Nosso Senhor disse a Nicodemos: "Em verdade em verdade te digo, a menos que o homem nasça de novo, ele não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). O que homens e mulheres precisam é de um novo coração, uma nova natureza que irá amar a luz e odiar as trevas. Eles necessitam de uma nova natureza que irá apreciar o que é doce e não o que é amargo; uma natureza que tudo o que quer é amar o bem e odiar o mal.
E não é este o problema de todos nós? É a nossa natureza que está errada. Nós somos errados dentro de nós. "A boca fala do que o coração está cheio" (Lucas 6:45). Eu sou guiado por meu coração e levado a pecar; o problema todo está aí. Por causa da minha natureza, preciso de um coração novo, uma nova aparência, um novo desejo. Como conseguir isso? Bem, eu não posso produzi-los, mas posso suplicar como Davi no Salmo 51: "Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova em mim um espírito reto" (v. 10). Davi disse isto depois de haver cometido adultério e assassínio. Ele se confessou repelente e impuro: "Tu desejas a verdade no íntimo" (v. 6). Pois foi justamente aí que ele errou. Senhor, faze de mim algo que eu não sou. "Purifica-me com hissope e eu serei limpo; lava-me, e ficarei mais branco que a neve" (v. 7).
Graças a Deus, a mensagem ainda é esta. Eu não me desespero com os homens e mulheres modernos e sua assim chamada nova moralidade e perversões. O Evangelho é "o poder de Deus para Salvação" (Romanos 1:16). O apóstolo Paulo pregou na cidade portuária de Corinto para a ralé, para a sordidez, o centro do mal, que era aquele lugar. Ele pregou ali e o poder de Deus foi demonstrado na vida de homens e mulheres. "Mas fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados no nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito de nosso Deus" (I Coríntios 6:11). E graças a Deus isto ainda acontece.

Seu sangue pode tornar o imundo limpo, seu sangue disponível a mim.

Charles Wesley