sexta-feira, 20 de julho de 2012

Hoje não vou ao culto!

Cada vez mais fico perplexo em perceber que pessoas faltam aos cultos por razões as mais diversas e, em sua maioria, as mais tolas. Para falar a verdade eu já decorei as desculpas. Alguns se aproximam e dizem: "desculpe faltar no domingo, mas eu não me sentia bem...". Então eu pergunto: "o que era?" e a resposta surpreende: "não era nada, eu só não estava legal". Triste! Uma pessoa falta ao culto por não se sentir bem e o que fez em casa? Ficou nas redes sociais ou assistindo televisão! Há aqueles que faltam em virtude de terem assumido um compromisso de última hora e querem a todo custo se justificar. Mas desde quando um compromisso de última hora é mais importante que um compromisso assumido há mais tempo e com a Pessoa mais importante do universo? Há aqueles que se justificam assim: "desculpe-me faltar ontem ao culto, mas alguns parentes chegaram em casa na hora de sairmos e por isso tivemos que ficar em casa". Ora, quando ouço isso penso em como uma pessoa como essa valoriza o homem e o quanto lhe falra fibra para receber a visita à porta e anunciar-lhe que colte depois ou um outro dia ou mesmo que devem segui-los à igreja. Alguns faltam em virtude de estarem cansados fisicamente. Mas quando uma pessoa me diz isso sempre penso que ela nada sabe do descanso em Deus e do quanto pode ser restaurador o culto a Deus. Alguns marcam ou assumem  compromissos em dias e horário de culto. Esses tais, para mim, precisam fazer um autoexame de sua conversão. O que pode ser mais importante do que o culto a Deus? Qualquer coisa pode quando não se tem a mínima noção de quem é Deus! As pessoas faltam aos cultos porque lhes falta uma visão correta de Deus. Quem falta ao trabalho com uma justificativa tão banal como a que oferece ao pastor quando falta a um culto? Desconsideramos e menosprezamos a Deus com tais atitudes. Continuaremos assim? Pense nisso. 

segunda-feira, 16 de julho de 2012

D. M. Lloyd-Jones - Resumo Biográfico



(parte 3) 

O coração do evangelho

E
m 1929 quando Lloyd-Jones pregava em Bridgent, South Wales, um ministro local o chamou a atenção ao fato de que a cruz parecia ter pouco lugar em sua pregação e isso provocou uma mudança fundamental em sua pregação. Rapidamente obteve alguns livros sobre a doutrina da expiação de R. W. Dale, P. T. Forsyth e James Denney e lançou-se à sua leitura de modo que causou ansiedade a Sra. Bethan, visto que se recusou até almoçar. [i] Como resultado de ter encontrado o “coração do evangelho e o segredo do significado interior da fé cristã”, sua pregação mudou e com isso o seu impacto.  [ii] Interessante notar que as últimas mensagens de Lloyd-Jones na Capela de Westminister como seu pastor tratavam do tema da morte de Cristo e num deles ele, referindo-se aos sofrimentos de Cristo, diz “por que faço isso? Porque este é o coração e o centro da mensagem cristã”.[iii] A cruz seria tema recorrente em diversas de suas mensagens.


De caminho para a Capela de Westminster
           
P
ara Lloyd-Jones há dois fatos interessantes quanto a sua vinda para a Capela de Westminster, o primeiro foi a sua intuição quanto a isso, seis anos antes. Diz ele “nunca olvidarei a leitura que fiz num jornal, durante o desjejum de certa manhã, no fim de 1932, um pequeno parágrafo, de que o Dr. Campbell Morgan estava voltando da América para juntar-se ao Dr. Hubert Simpson no pastorado da Capela de Westminster a partir do princípio de 1933. Li aquilo casualmente, mas quando o li, tive um estranho e curioso aviso. Era mais do que uma espécie de intuição; chamo-lhe aviso. Era tão definido que eu chamei a atenção da minha esposa e li para ela o parágrafo. Eu disse:”agora, você pode pensar que estou ficando louco, porém, vou lhe dizer aqui e agora que isso tem algo de vital importância ligado a mim. Bem, é claro que a coisa parecia pura demência. Eu nunca tinha estado com o Dr. Campbell Morgan, e nada estava mais longe da minha mente do que a ideia de sair da igreja na qual eu estava exercendo o ministério no sul de Gales. Contudo, quando eu li o parágrafo, foi isso que aconteceu. A minha esposa é testemunha disso. Foi no fim de 1932”.[iv] Aliado a isso esta a maneira como se deu o seu primeiro encontro com Campbell Morgan, que ele considerou decisivo em sua história. Ele participava como palestrante, numa noite fria de meados de 1935, de uma reunião no Albert Hall, Londres, quando um pouco antes do início da reunião o Dr. Campbell Morgan se aproximou dele e disse-lhe: “Digo-lhe na presença do meu Criador que nada nem ninguém me fariam sair numa noite como esta, senão você.” E o Dr. Lloyd-Jones confessa que “já estava nervoso por ter que falar no Albert Hall; e como sobrevivi àquela observação, eu não sei”. Dias depois, Campbell Morgan convidou Lloyd-Jones para pregar na Capela de Westminster no último domingo do ano, pela manhã e à noite.


O segundo fato interessante, de acordo com ele mesmo, é que quando estava na América do Norte, em 1937, para uma série de palestras na Assembléia Geral Presbiteriana e foi pregar na Filadélfia, novamente encontrou-se com Campbell Morgan. Morgan visitava seu filho nos EUA e quando soube que Lloyd-Jones pregaria na região rumou para lá para ouvi-lo. Assim Lloyd-Jones narrou o fato numa palestra no centenário da Capela de Westminster em 6 de julho de 1965: “fomos para a reunião na hora aprazada, e lá estava ele sentado bem em minha frente. Ele era o último homem que eu queria ver!Mas ele fez uma coisa que era muito característica dele e que de alguma forma me reabilitou. Quando eu estava pegando o meu texto, pude ver pelo rabo do olho que ele estava tirando do bolso o relógio. Vi que ele ia cronometrar-me. De um modo ou de outro, isso me ajudou e me incentivou. (Digo de passagem, como creio que eu disse no culto memorial relativo a ele, o Dr. Morgan era o melhor ouvinte que já conheci). Bem, essa acabou sendo uma noite importante para mim, da seguinte maneira: quando terminei de pregar desci do púlpito, ele foi o primeiro a vir falar comigo. Depois, tendo falado comigo, voltou-se para retirar-se do edifício. Varias outras pessoas estavam ali para falar comigo. Enquanto eu conversava com elas, podia vê-lo caminhando por um corredor lateral do edifício. Notei que ele andava, parava, virava para trás e olhava para mim. Depois andava de novo, tornava a para e me olhava. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo, e eu estava certo! Ele decidiu ali e naquela hora que eventualmente eu deveria ser o homem a unir-me a ele aqui. Ele só podia pregar uma vez por domingo e pôde ver que a real solução era encontrar um pastor associado”.[v]
     

Em 1 de maio de 1938 Lloyd-Jones anunciou que deixaria o pastorado em Sandfields, o que de fato ocorreu em fins de julho.[vi] Ele já estava convencido, desde 1937, que o seu tempo em Sandfields havia chegado ao fim e assim comunicou a sua demissão. Havia um convite para que Lloyd-Jones assumisse uma posição no Colégio Metodista Calvinista de Bala, Norte de Gales, e essa era uma proposta muito atraente e ele estava disposto a aceitá-la. Contudo, poucos dias depois ele recebeu uma carta de Dr. G. Campbell Morgan (1863-1945) convidando-o para compartilhar o púlpito da Capela de Westminster. Lloyd-Jones aceitou o convite feito por G. Campbell Morgan para partilhar com ele o púlpito e segundo diz: “cada um pregava uma vez aos domingos, alternando manhã e noite cada mês”.[vii] Mas o convite oficial, por assim dizer, só veio em outubro de 1938.[viii]



Havia uma diferença radical entre os dois na pregação e na teologia, entretanto, trabalharam em harmonia. Campbell Morgan, embora evangélico, tinha uma estrutura doutrinária pouco precisa, era arminiano e mais devocional que doutrinário. Lloyd-Jones, ao contrário, estava na mesma tradição de Spurgeon, de Whitefield, dos Puritanos e dos Reformadores.[ix]



Os primeiros anos de Lloyd-Jones como co-pastor de Campbell Morgan não foram fáceis. Isso porque Morgan era grandemente estimado de tal modo que “Lloyd-Jones e sua abordagem dos trabalhos da igreja não foram bem recebidos: “em meus dois primeiros anos, atravessei um inferno” [x], diria ele. Muitos membros da Capela só participavam do culto para ouvir Morgan pregar, recusando-se a ouvir o jovem calvinista. 


[i] Os autores consultados por Lloyd-Jones foram P. T. Forsyth (The Cruciality of the Cross,1909) e James Denney (The Death of Christ, 1903) e R. W. Dale (Expiation, 1875).
[ii] STOTT, J., A Cruz de Cristo, pág. 5 ,Vida.
[iii] LLOYD-JONES, Cristianismo Autêntico, vol 6, p. 339.
[iv] LLOYD-JONES, Discernindo os tempos, p. 253
[v] Idem, p 254
[vi] Cartas, p.43
[vii] Idem,
[viii] Idem, p. 254
[ix] CATHERWOOD, Sir Fred, Dr. D. Martyn Lloyd-Jones, his life and ministry, em http://www.graceonlinelibrary.org/articles/full.asp?id=38||579
[x] COSTA, p. 55

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O PODER TRANSFORMADOR DO EVANGELHO



Silas Roberto Nogueira

Gálatas 1.11-24

INTRODUÇÃO
Os falsos apóstolos judaizantes que chegaram à Galácia não estavam somente disseminando a ideia de que era necessária a obediência à Lei mosaica para a salvação, mas estavam também caluniando o apóstolo Paulo. Eles empregavam o seguinte método contra Paulo, punham em dúvida a sua autoridade do seu apostolado e a genuinidade do seu evangelho. A intenção era minar a autoridade do mensageiro, comprometer a sua mensagem e promover uma cisão no relacionamento entre o apóstolo e a igreja (4.17) para facilitar a sua atuação.  O apóstolo Paulo nesta Epístola rechaça de modo cabal e absoluto a deturpação do evangelho que os falsos apóstolos pregavam como já vimos no estudo anterior. Especificamente no texto que lemos hoje Paulo faz uma vigorosa defesa do seu evangelho e do seu apostolado. Primeiro Paulo trata da origem do seu evangelho (v.11,12) e em segundo lugar, aquilo que o evangelho operou em sua própria vida (v.13-24). Como disse William Barclay Paulo mostra que o seu evangelho não é de segunda mão, mas que o recebeu de Deus mesmo. Como uma afirmação tão ousada exige uma comprovação que a corrobore, Paulo ousadamente apresente a sua própria vida, a mudança radical que o evangelho operou nele. Há dois pontos que precisamos destacar aqui quanto ao evangelho de Paulo:

1)       O evangelho não é invenção humana, v 11, 12a O termo grego “kata anthropon” significa literalmente – “de acordo com o homem”.  No v. 12 Paulo dá as suas razões, primeiro ele não recebeu o evangelho por meio de tradições humanas como acontecia no judaísmo. Em segundo lugar, ele não aprendeu o evangelho de outro homem, como os rabinos treinavam seus discípulos. Disso nós podemos concluir que o evangelho não é mera tradição humana e nem mero adestramento teológico, o evangelho é algo sobrenatural. Se o evangelho fosse humano, não seria evangelho.

2)       O evangelho é revelação de Jesus Cristo, v.12. Aqui Paulo fala que o evangelho é uma revelação, um desvendamento, um descortinar. O evangelho não é um descobrimento humano, mas uma revelação divina. Revelação é sempre uma iniciativa divina, não humana. Jesus Cristo é o objeto da revelação do evangelho. Na verdade, Jesus Cristo é o evangelho. Está claro que quando Paulo escreve este verso sua mente se volta imediatamente aquele dia no caminho de Damasco quando Jesus revelou-Se a ele. Mas o evangelho é também uma revelação acerca de Jesus como o Cristo de Deus. Essa revelação mudou a vida de Paulo para sempre.

No trecho que vamos estudar agora, um trecho biográfico que vai até o final do capítulo dois, Paulo mostra o poder do evangelho em sua própria vida. Primeiro Paulo faz uma retrospectiva, depois fala do momento em foi chamado na graça e em terceiro lugar, fala do seu chamado por parte de Deus. Vejamos as lições que podemos extrair deste texto:



1.       PAULO INIMIGO DE CRISTO, v.13,14
João Calvino diz que esta “narrativa foi introduzida como parte do argumento de Paulo. Ele relata que, durante toda a sua vida, nutria tão profunda rejeição pelo evangelho, que se tornara um inimigo mortal e um destruidor do cristianismo. Isso nos leva a inferir que a conversão de Paulo foi divina”. Paulo se descreve aqui como um fanático religioso, um inimigo voraz de Cristo e mostra isso em dois tempos:

a)       Paulo um voraz perseguidor da igreja e de Cristo, v.13.
Paulo descreve-se a si mesmo como um implacável perseguidor da igreja numa tentativa de devastá-la– “sobremaneira persegui a igreja... e a devastava”. A primeira vítima de Saulo foi Estevão, pois consentiu em sua morte, At 8.1. Depois disso, a narrativa de Lucas apresenta Paulo como alguém que “assolava a igreja” em Jerusalém com ações violentas “entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres” encerrava-os no cárcere (At 8.3), castigava-os e tentava faze-los blasfemar (At 26.11) e quando formalmente acusados, dava o seu voto, para que fossem mortos (At 26.10). Não contente com seu plano de erradicação da igreja de Cristo em Jerusalém, pediu autorização para ir à Damasco visitar as sinagogas à caça de mais discípulos, At 22.5; 26.9,10,11. Paulo perseguia a igreja com violência e selvageria, de forma intensa, em excesso, sem medida e continuamente – é isso que ele quer dizer com “sobremaneira”. A ira de Paulo contra Cristo não poderia ser aplacada por argumentos humanos, At 26.9.

b)      Paulo um destaque entre os seus pares, v.14.
A fúria de Paulo contra a igreja é explicada por seu zelo religioso. Em outra nota biográfica aos filipenses Paulo diz: “quanto ao zelo, perseguidor da igreja”, Fp 3.6. Zelo sem conhecimento é fanatismo e, como já vimos Paulo era um fanático religioso. As razões estão presentes neste verso. Primeiro Paulo se descreve a si mesmo como alguém que se sobressaia aos seus pares. Havia sido educado aos pés do maior rabino de sua época, Gamaliel (At 22.3). Era um fariseu estrito, quanto à justiça que há na lei irrepreensível (Fp 3.5-6). Não era apenas um homem zeloso, mas “extremamente” zeloso da tradição dos seus pais. Hendrikesen comenta que “a religião judaica da qual Paulo fazia parte e se fazia progredir era aquele na qual a santa lei de Deus era sepultada sob o peso das tradições humanas”.

Concordamos com John Stott quando diz que “um homem nessa condição mental e emocional de maneira alguma mudaria de opinião, nem se deixaria influenciar por outras pessoas. Nenhum reflexo condicionado ou qualquer outro artificio psicológico poderia converter um homem assim. Apenas Deus poderia alcança-lo – e foi o que Deus fez!”.
  
2.       PAULO CONVERTIDO A CRISTO, v. 15,16ª
Depois de falar do passado, Paulo começa agora a falar do presente. Há uma mudança abrupta entre os versículos anteriores, 13,14 e estes, 15,16. Antes havia falado do que fizera, de como agira, mas agora fala o que Deus fez e como agiu em seu favor. Isso destaca que a sua conversão não foi devida a intervenção humana, mas a soberana agência divina. Há quatro pontos que podemos destacar aqui:

a)       A conversão de Paulo era plano de Deus, v.15. Note a frase – “me separou antes de eu nascer”. O termo “separou” implica em uma escolha de alguém ou alguma coisa com propósitos específicos. Não foi Paulo quem escolheu a Deus, mas Deus quem o escolheu. Deus não o escolheu porque previu que ele iria crer em Cristo, pois a presciência na Bíblia é de pessoas, não de atos, Rm 8.29,30. Depois, não foi escolhido porque tinha praticado boas ações, pois ele não havia nascido ainda – “antes de eu nascer”. A escolha divina é incondicional, soberana.

b)       A conversão de Paulo ocorre na história, 15. Observe a palavra – “quando”. Os que são chamados por Deus na eternidade vêm a Ele no tempo, na história. Há sempre um momento, uma hora, um dia, uma circunstância. O “quando” de Paulo aqui refere-se ao caminho de Damasco, perto do meio dia, quando de súbito Cristo veio ao seu encontro e mudou para sempre a sua trajetória (At 9.3; 22.6) – de perseguidor a pregador.

c)       A conversão de Paulo inclui um chamado irresistível, 15. Observe “e me chamou pela sua graça”.  A eleição é incondicional, a graça é irresistível. Há dois chamados que ocorrem quando o evangelho é anunciado, um é externo, dirigido aos ouvidos (eles ouvem, mas não entendem), o outro é interior, dirigido ao coração (quem ouve, atende). Esse chamado é eficaz, produz o efeito desejado por Deus. Quando Cristo chamou Paulo pelo nome no caminho de Damasco, ele atendeu, At 9.3. Os outros que estavam com Paulo viram a luz, mas não entenderam o chamado, At 22.9. A ovelha ouve a voz do Pastor, Jo 10.27.

d)       A conversão de Paulo inclui uma revelação sobrenatural, 16. Toda conversão é algo sobrenatural, pois começa com Deus. Paulo perseguia a Cristo por achar que Ele era um impostor, um charlatão, mas agora seus olhos foram abertos para ver a Jesus não como antes, mas como o Cristo, o filho de Deus, o salvador de todo o que crê, 2 Co 5.16. Essa revelação é um cerne da transformação do apóstolo Paulo.

John Stott declara que Paulo não merecia misericórdia, nem a pedira, mas ela foi ao seu encontro. Quando Paulo se refere ao seu estado pregresso, antes da conversão, se confessa como alguém blasfemo, perseguidor e arrogante. Contudo, insere uma maravilhosa adversativa – “mas” – na narrativa e conclui “obtive misericórdia...” e experimentou um transbordar da graça de Deus em relação à sua salvação, 1 Tm 1.13,14. Ninguém é salvo por acaso, nem por que Deus previu a sua fé ou mesmo porque merecia, mas os que são salvos o são pelo transbordar da graça e misericórdia de Deus. 

3.       PAULO PREGADOR DE CRISTO, v. 16b-24.
Nos versículos que seguem, Paulo trata do propósito de seu chamado. Deus escolheu Paulo não somente para salvá-lo, mas para usá-lo como instrumento para ganhar outros. Neste trecho  Paulo fará uma defesa do seu apostolado, defendendo-se da acusação de não ser um apóstolo legítimo.

a)       Paulo foi escolhido por Deus com um propósito, 16. O termo “separou” usado no v.15 refere-se a uma escolha tendo em vista um propósito. A revelação de Cristo em Paulo (“revelar seu Filho em mim”) não é apenas um descortinar de quem Cristo é a Paulo, mas também um revelar de Cristo por meio de Paulo. Mathew Henry, um batista puritano, comentou “pouco nos servirá que tenhamos a Cristo revelado a nós se Ele não é revelado também em nós”. Paulo afirma o propósito de Deus quanto à sua salvação na frase – “para que eu O pregasse entre os gentios”. Paulo descobriu isso agora, após a sua conversão, mas isso sempre fez parte do plano de Deus. O ministério cristão não é uma coisa para o qual os homens devem se apresentar como voluntários, Hb 5.4. Os falsos apóstolos saíram por conta própria (At 15.24), mas Paulo havia sido comissionado por Deus.

b)       Paulo não consultou homens sobre o seu chamado, v.16,17.  A expressão “não consultei carne e sangue” refere-se a homens, isto é, Paulo não buscou o conselho de homens sobre a questão, nem mesmo dos outros apóstolos - “nem subi a Jerusalém...” (v.17). Ele entendeu a urgência do chamado – “sem detença”. A síntese que oferece aqui do seu ministério mostra que era impossível que ele tivesse recebido o seu evangelho por intermédio de qualquer homem:

  • De Damasco para a Arábia: “parti para as regiões da Arábia” – depois de dar um breve testemunho de sua conversão em Damasco, partiu para as regiões da Arábia. Arábia aqui é uma referência a uma região próxima à Damasco. Não nos diz o que fez ali, mas podemos supor que estivera em oração e meditação.
  •  Da Arábia para Damasco: “e voltei, outra vez, para Damasco” – esse retorno não é explicado, mas o fato é que retorna da Arábia para Damasco para quem sabe um período maior de pregações. Nesse retorno Paulo ia corrigir o erro que havia praticado.
  • De Damasco para Jerusalém: “decorridos três anos... Jerusalém”, v.18. Essa visita corresponde a Atos 9.26-30. Paulo tinha como propósito conhecer Pedro. Nesse período conheceu Tiago, v.19. Nesta visita Paulo vai enfrentar seu passado.
  • De Jerusalém para Síria e Cilícia, v.21.  Paulo vai à sua cidade natal na Cilícia, Tarso. Paulo fora fazer Cristo conhecido aos seus conterrâneos, At 15.41. Paulo aqui vai enfrentar a sua cidade natal, seus amigos de infância e seus familiares.

c)       Paulo com seu testemunho glorifica a Deus, v.23,24. Embora desconhecido em alguns lugares, o testemunho da poderosa transformação operada em Paulo – “aquele que antes, nos perseguia, agora, prega a fé que, outrora, procurava destruir” – redundava em adoração a Deus, v. 24.

Estes versículos podem ser resumidos da seguinte maneira: a vida pregressa de Paulo no seu fanatismo religioso, a iniciativa divina de sua conversão e seu isolamento quase total dos líderes da igreja de Jerusalém, provam de modo inequívoco que sua mensagem não é humana, mas divina.

Conclusão

  • O evangelho é divino, não humano
  • Ser religioso não é uma garantia de salvação. Homens cheios de virtudes e religiosos são tão blasfemos, inimigos de Cristo e arrogantes (1 Tm 1.13) quanto Paulo e precisam receber a misericórdia de Deus e experimentar o transbordar da Sua graça
  •  A conversão de uma pessoa é sempre algo sobrenatural, Jo 3. O evangelho é o poder de Deus para a salvação (Rm 1,16).
  • Somos salvos com um propósito de fazer Cristo conhecido através de nós. Devemos ser um testemunho vivo – devemos pregar com as nossas vidas.

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Anotações das exposições em Gálatas - Comunidade Batista da Graça, Suzano/SP