terça-feira, 29 de maio de 2012

D.M. Lloyd-Jones - Resumo Biográfico


(parte II) 

Casamento e a chegada das filhas
Lloyd-Jones se casou com Bethan Phillips, também médica, em 8 de janeiro de 1927, na Charing Cross Chapel (onde a conheceu), em Londres. Bethan era filha de Dr. Tom Phillips, um destacado médico oftalmologista, e neta do Rev. Evan Phillips, ministro na Capela Metodista Calvinista Betel, em Newcastle Emlyn. A primeira filha do casal, Elizabeth nasceu no mesmo ano, em Londres (por causa de complicações médicas), a segunda filha, Ann, nasceu dez anos mais tarde, ainda enquanto pastoreava em Aberavon.

O chamado de Deus
Por seu brilhantismo foi chamado para ser assistente clínico de Sir Thomas Horder, Cardiologista Real, em 1921.  Dr. Horder fez um incisivo comentário sobre Lloyd-Jones dizendo ser ele “o mais habilidoso pensador que ele conheceu”. [i] Iain Murray comenta que “quando Lloyd-Jones se tornou assistente de Horder, em 1921, o caminho estava aberto para uma espetacular carreira na medicina. Sir James Paterson Ross, Presidente da Real Escola de Cirurgiões, mais tarde diria que o jovem galês era “um dos mais excelentes clínicos já encontrados por ele”.[ii] Entretanto, nessa época Lloyd-Jones teve sua vida marcada por uma mudança radical em relação ao cristianismo. “Lentamente, depois de uma profunda luta, sua mente e seu coração forma conquistados pelo evangelho. Ao examinar seus pacientes, ele logo percebeu que seus problemas eram, em primeiro lugar, espirituais, e Deus usou isso para chamá-lo ao ministério cristão.” [iii]

Em 1926 resolve deixar a medicina. Essa decisão “foi resultado de uma aguda compreensão da urgência de se pregar o evangelho para uma sociedade que definhava no pecado, superficialidade de vida e falta de esperança”. [iv]  Mas essa decisão não foi fácil, Iaim Murray, seu biógrafo, declara “durante um ano e meio ele lutou com a decisão. Foi um fardo que lhe custou a perda de sono e de peso. Todavia, sua resposta a Deus não foi com espírito de sacrifício próprio, mas, antes, cm a convicção de que lhe estava sendo dado um imenso privilégio e responsabilidade. Em anos posteriores, quando a sua prontidão em renunciar a muita coisa era elogiada, ele rejeitava essa idéia com as palavras:”não renuncie a coisa alguma; recebi tudo. Considero a mais alta honta que Deus pode conferir a qualquer homem chamá-lo para ser arauto do evangelho”.[v] Portanto, não havia desencanto com a medicina, mas uma forte convicção do chamado divino para ser pastor.

Em 11 de novembro, Lloyd-Jones pregou seu primeiro sermão no País de Gales, em Newport, ex-Monmouthshire, agora Gwent. Alguns dias depois pregou seu primeiro sermão na Belém Forward Movement (Sandfields), Aberavon, Gales do Sul, seu sermão pela manhã foi em 1 Coríntios. 2:9 e a noite em 1 Coríntios. 2:2.

O primeiro pastorado
Em 20 de dezembro de 1926, data em que comemoraria seus 27 anos, recebeu o convite para ser pastor dessa mesma igreja, na qual esteve até 1938. Lloyd-Jones aceitou o convite prontamente, na sua carta à E. T. Rees diz “desnecessário é dizer que aceitei o convite pronta e prazerosamente, e que aprecio profundamente o grande privilégio de ser aceito para trabalhar pela vinda do reino entre meus bons amigos em Sandfields.”[vi] Seu salário inicial como pastor era de £225 por ano, enquanto que a perspectiva de ganhos de um médico na década de 20 era de £ 1.500 e o de um médico em um consultório era de £ 3.500 a £ 5.000 aproximadamente. Isso deixa evidente que seu interesse nunca foi financeiro, mas senão a “Jesus Cristo e este crucificado”. Ao assumir seu primeiro pastorado não deu inicio a nenhum novo programa, optou por uma estrutura simples com a igreja focada na edificação dos crentes pelo ensino da Bíblia e a evangelização. O resultado foi surpreendente e isso foi difícil de entender para alguns, especialmente porque Martyn não recebeu formação teológica. Seu ministério ali foi grandemente abençoado. A igreja tinha um histórico de sucessão de fracassos ministeriais e por isso a frequência chegava a cem pessoas. Contudo, na demorou muito começou a crescer de modo que uma hora antes do início do culto, o salão já estava repleto. Muitos foram os convertidos e entre eles estavam pessoas aparentemente incorrigíveis que ali deram o testemunho da obra que o Espírito Santo realizava nelas. A influência do jovem que havia abandonado a medicina para ser ministro crescia cada vez mais e a tal ponto que atribui-se a Lloyd-Jones a responsabilidade direta pela não entrada do comunismo no Sul de Gales. [vii] Apesar de estar em um bom momento no seu ministério em Aberavon, Lloyd-Jones sentia que sua estada estava com os dias contados. As palavras de Lloyd-Jones a E. T. Rees expressam bem como os dias em Aberavon o marcaram, diz ele “ainda me parece totalmente impossível dar-me conta de que não sou mais ministro de Sandfields, Aberavon. Mas eu sei que com o passar dos meses e dos anos, querendo Deus, serei cada vez mais agradecido por toda a ajuda e pela amizade, na verdade, pelo amor cristãos que recebi de você. O que o futuro nos reserva não sabemos, mas não há a mínima possibilidade de que seja mais feliz do que os anos recém-passados.”[viii]


[i] PIPER, John, Uma Paixão pelo poder que exalta Cristo, artigo disponível em www.mornegismo.com
[ii] MURRAY, I., O Legado de Dr. Martyn Lloyd-Jones, p. 4, PES
[iii] FERREIRA, Franklin, D. Martyn Lloyd-Jones: Pregador da Palavra, pág. 3,PES.
[iv] COSTA,p 44, Textus.
[v] O Legado, p.8
[vi] MURRAY, Iain, D. M. Lloyd-Jones, Cartas, p. 39
[vii] COSTA, p. 51
[viii] MURRAY, Cartas, p. 45