terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Neoteísmo


Teologia Relacional ou Teísmo Aberto

Silas Roberto Nogueira

(Este artigo foi publicado na Revista Sã  Doutrina, ano 7/2008/n°13)

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade que EU SOU DEUS, E NÃO HÁ OUTRO DEUS, NÃO HÁ OUTRO SEMELHANTE A MIM. Que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho será firma, e farei toda a minha vontade.”
Isaías 46.9,10 - ACF

Há cerca de duas décadas certos teólogos resolveram redefinir a concepção cristã de Deus. Segundo eles, a concepção “tradicional” de Deus é maculada pela filosofia grega e apresenta uma ideia acerca de Deus que não corresponde à revelação bíblica. O Deus da Bíblia é “outro deus”, dizem que é soberano, mas abriu mão da Sua soberania por amor a Sua criatura e para conceder-lhe livre-arbítrio, ou, como advogam, “liberdade real” ou “significativa”. É onisciente, mas ignora o futuro, pois só pode conhecer o que é conhecível. Como os homens são livres (no sentido indeterminista), suas ações são imprevisíveis, o futuro não existe (isto é, está aberto), portanto, Deus não pode conhecê-lo. Embora Deus seja sábio, Ele se arrisca no relacionamento com seres morais livres. Ele pode até cometer enganos em determinadas circunstâncias, afinal, não pode prever (com absoluta certeza) como as criaturas agirão. Deus é imutável apenas essencialmente, no mais Ele muda, se arrepende de determinadas ações, reage e se adapta às decisões humanas. Deus é amor e exatamente por isso é passível de sofrer conosco, vivendo intensamente a história. Assim, o amor é o Seu mais importante atributo. Tais concepções certamente estão muito distantes do conceito cristão “tradicional” de Deus. Representam um afastamento não somente do conceito de que Deus preordena todas as coisas, como expõe o calvinismo, mas também que Deus sabe todas as coisas antecipadamente, como expõe o arminianismo tradicional. No entanto, o “neoteísmo” ou “teísmo aberto” não é nenhuma “novidade” teológica, é uma colcha feita com os “velhos” retalhos (trapos) do pelagianismo, socianismo, teologia processual (e filosofia, embora neguem peremptoriamente), arminianismo (extremado) com os alinhavos da cultura moderna (pós-moderna). Assim, não há nada de “novo” (neo) aí, é “velhacaria reciclada”. O Deus da Bíblia é soberano e em nenhum lugar é declarado que Ele abriu mão da Sua soberania em benefício da criatura, o que não seria benefício algum, mas a própria perdição da criatura. O Deus da Bíblia é onisciente, ainda que não entendamos perfeitamente a relação entre o Seu conhecimento e a nossa liberdade, o que só indica ignorância da nossa parte, não da Sua. Seu conhecimento do futuro é absoluto, exaustivo, do contrário não nos restaria esperança alguma, visto que não poderia haver certeza de Seu triunfo final. O Deus da Bíblia é onipotente, mas isso não significa que tenha que impedir uma catástrofe quando alguns entendem que deveria fazê-lo. Não é porque Deus não impediu uma tragédia ou catástrofe que Ele não interveio ou que não pode fazê-lo. O Deus da Bíblia não arrisca, Ele não erra, não se engana. Falar em Deus que erra é um contra senso. O Deus da Bíblia é amor, mas esse não é o único atributo dEle. Fazer do amor o mais importante atributo de Deus é um erro, pois nEle há perfeito equilíbrio entre Seus atributos e Ele não exerce um (atributo) em detrimento do outro. O neoteísmo ou “teísmo aberto” distanciou-se dos limites bíblicos e propõe adoração a um “outro deus” sob a capa de outra espiritualidade – e isso é idolatria!

Soli Deo Gloria!

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ACF – Bíblia traduzida por João Ferreira de Almeida Edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original da Sociedade Bíblica Trinitariana

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