sábado, 31 de julho de 2010

Habemus patriarca, pai e outros bichos mais..

Diz nos John MacArthur: Alguns líderes modernos de igrejas imaginam-se a si mesmos como homens de negócios, personalidades da mídia, promovedores de entretenimento, psicólogos, filósofos ou advogados. Essas ideias e conceitos se contrastam, nitidamente, em todos os seus detalhes, com o tom da simbologia que as Escrituras utilizam para descrever os líderes espirituais. Por exemplo, em 2 Timóteo 2, o apóstolo Paulo empregou 7 metáforas para descrever os rigores do ministério de liderança. Ele apresenta o pastor como um mestre (v. 2), um soldado (v. 3), um atleta (v. 5), um agricultor (v. 6), um obreiro trabalhador (v. 15), um vaso (vv. 20-21) e um escravo (v. 24). Todas essas figuras evocam idéias de sacrifício, labor, serviço e  arduidade. Elas nos falam, de modo eloqüente, sobre as responsabilidades complexas e diversas envolvidas no ministério de liderar. Nenhuma delas transforma o ministério de liderança em algo esplendoroso.


Contudo, essa não é a mentalidade de alguns líderes evangélicos tupiniquins. Como já o disse Augustus Nicodemus Lopes, a alma católica dos evangélicos brasileiros se revela no gosto pelos títulos de bispos, pelas catedrais e pelos rituais. Pois é, cada vez mais identificados com o catolicismo o movimento evangélico brasileiro segue cada vez mais distante dos padrões bíblicos. Tanto é assim que agora a moda é ser Patriarca, apóstolo e bispo é coisa do passado. Segundo as informações do seu próprio blog, o baiano Rene Terra Nova, que já foi pastor batista, foi publicamente reconhecido como Patriarca, ele que já era “paipóstolo”:


Na noite em que se comemorava o 49° aniversário do apóstolo Renê Terra Nova, 19 de junho, durante a programação do 13o. Congresso Internacional da Visão Celular, no MIR, em Manaus, líderes do Brasil e das nações reconheceram publicamente diante da igreja, o papel de patriarca o qual o apóstolo Renê tem exercido no Brasil e nas nações por onde tem passado.


O cerimonial do reconhecimento público emocionou a todos os líderes reunidos no MIR. Após a entrada dos estandartes que representam as 12 tribos, das bandeiras dos 27 Estados brasileiros, e dos representantes internacionais, foi exibido um vídeo mostrando as marcas do patriarcado na vida dos apóstolos do MIR, culminando no ato profético do manto sacerdotal, em cor púrpura, sobre a vida do casal de apóstolos, Renê e Ana Marita Terra Nova.


O apóstolo Fabio Abud, de São Paulo, foi o primeiro a falar, declarando que reconhecia o manto de Patriarca sobre a vida do apóstolo Renê e agradecia pelo pai espiritual que tem a Visão Celular no Brasil. Em seguida, o presidente da ICEJ, Embaixada Cristã Internacional de Jerusalém, Malcolm Hedding,declarou que Israel reconhecia o legado patriarcal que possui o apóstolo, lembrando o chamado de Abraão.[1]


Note que o manto púrpura foi colocado sobre o casal, assim temos também uma matriarca, que já era apóstola, em outras palavras uma papisa. Roma teve a sua papisa Joana e na trilha romanista, o movimento evangélico tem a sua matriarca.



Mas a coisa não para por aí. Segundo informações, outro apóstolo, este de São Paulo, resolveu que quer ser chamado de Pai Espiritual. [2] E a esposa dele, que já era bispa, será que ela vai ser a Mãe Espiritual? Interessante é que o tal apóstolo está promovendo uma caravana apostólica de Pedro em Israel, aliás, a autoridade apostólica de Pedro é o tema da igreja em julho. Será que ele pensa em uma sucessão apostólica de Pedro? Se for isso, o movimento evangélico terá dois papas. Como já aconteceu com a igreja católica no passado.



Outros se consideram divinos ou semideuses. Um desses midiáticos alucinados, embora seja chamado apenas de pastor se considera divino. Ele ainda não chegou a declarar-se Deus, mas falta pouco. No seu programa diz ele que onde quer que vá ele leva avivamento. Ora, avivamento é obra de Deus, não de homem. Ou ele se considera Deus ou está equivocado quanto ao sentido do que seja avivamento. Podíamos conceder a ele o benefício da dúvida, mas depois de ouvi-lo orar em seu próprio nome, cheguei à conclusão de que ele realmente se acha divino.


Temos também os gurus espirituais, versão gospel. Isso não chega a ser nenhuma novidade, mas só exemplifica o estado espiritual em que nos encontramos. Alguns desses pastores prestam serviços a empresários e suas empresas, outros a times de futebol. Pouco antes da Copa do Mundo, li o seguinte: “Guru da seleção é pastor batista”[3].  O pastor batista Anselmo Alves, da 1 Igreja Batista em Curitiba, que acompanha a Seleção Brasileira de Futebol desde 2002 e estava nessa Copa na África do Sul tem a função de: 

...orar e encorajar os jogadores evangélicos, apontado como o núcleo forte da seleção. Entre os 23 convocados por Dunga, sete deles comungam da mesma fé: os zagueiros Lúcio e Luisão, os volantes Gilberto Silva e Felipe Melo, o lateral Daniel Alves, o atacante Luís Fabiano e Kaká.


Patriarca, paipóstolo, pai espiritual, apóstolos, bispos e gurus, o que mais falta? Isso só reforça em mim a ideia de que a igreja evangélica brasileira está em crise e não é de hoje. Alguns amparados no expressivo crescimento evangélico advogam a tese de que estamos experimentando um avivamento, embora não me considere um pessimista, tenho para mim que os indícios não apontam para isso.


A igreja evangélica brasileira precisa urgentemente de uma reforma que a resgate do obscurantismo provocado pelo pragmatismo e pelo abandono das Escrituras. Temos que orar para que Deus envie um poderoso avivamento sobre a sua igreja no Brasil para que possamos nos desvencilhar de uma vez por todas dessas bizarrices, do misticismo e acima de tudo sejamos reconduzidos aos pés da Cruz, onde ninguém pode gloriar-se dos seus méritos.



[1]http://www.reneterranova.com.br/blog/?m=201006
[2]http://www.genizahvirtual.com/2010/03/apostolo-estevam-hernandes-ordena-e.html
[3] http://www.vigiai.net/news.php?readmore=2850