terça-feira, 13 de abril de 2010



VENCENDO O MUNDO
JOEL BEEKE
Editora Fiel

Joel Beeke é pastor da Heritage Netherlands Reformed Congregation em Grand Rapids, Michigan, preside e leciona Teologia Sistemática e Homilética no Seminário Teológico Puritano Reformado e é um escritor prolífico, especialmente apreciado entre os reformados.

Neste livro, VENCENDO O MUNDO, (título original em inglês Overcoming The World – Grace to the daily battle, por P&R Publishing) Joel Beeke aborda a piedade pessoal e a santidade nas Escrituras. Ele nos ajuda a entender o mundanismo, seus ardis e sutilezas, e expõe os seus perigos. Para Beeke a piedade e a santidade são o antídoto contra o mundanismo que afeta a igreja, por isso ele se posiciona biblicamente contra isso e nos exorta a fazer o mesmo. O livro, com uma capa criativa, uma boa diagramação e revisão, com 215 páginas, é dividido em quatro partes.

A primeira é intitulada "Vencendo o mundo pela fé" possui três capítulos não muito extensos. O material foi tomado de algumas mensagens que Beeke fez no na Escola de Teologia do Tabernáculo Metropolitano (a Igreja pastoreada por C. H. Spurgeon) em Londres, em 2002, tendo com base 1 João 5.4,5. Nessa primeira parte, Beeke nos “mostra como o mundanismo pode ser vencido somente por meio da fé salvadora em Jesus Cristo” (prefácio). Para alguns essa é talvez a parte mais frágil do livro, pois Beeke parece não apresentar o vigor e as suas habilidades exegéticas, contudo, não é desapontador ou superficial.  

A segunda parte, “Vencendo mundo por meio da piedade: a resposta de Calvino ao mundanismo” está dividida em quatro capítulos e é uma pesquisa histórica informativa. O autor apresenta “como ponto de vista de João Calvino sobre a piedade constitui uma resposta abrangente e positiva aos problemas do mundanismo” (prefácio). Beeke nos apresenta uma boa parte de teologia histórica, com ênfase pastoral. Ele compreende não só os compromissos conceituais do mestre de Genebra, mas também as preocupações pastorais do grande reformador – e a interação entre os dois.

A terceira parte, “Vencendo o mundo por meio da santidade”, é dividida em cinco capítulos. Ele faz um chamado ao cultivo da santidade “como um antídoto ao mundanismo” (prefácio).  Aqui Beeke é magistral, vigorosamente bíblico e mais prático que teórico. Exemplo dessa praticidade está no capítulo 9, “Como cultivar a santidade”, onde Beeke propõe uma fórmula bíblica para um viver santo, baseada em 1 Coríntios, assinala ele: “Quando você estiver hesitante quanto a um modo de agir, pergunte a si mesmo:

  • ·         Isto glorifica a Deus? (1 Co 10.31)
  • ·         É coerente com o senhorio de Cristo? (1 Co 7.23)
  • ·         É coerente com exemplos bíblicos? ( 1 Co 11.1)
  • ·         É lícito e benéfico para mim – nos aspectos espiritual, físico e mental? ( 1 Co 6.9-12)
  • ·         Ajuda os outros de maneira positiva e não fere desnecessariamente? (1 Co 10.33; 8.13)
  • ·         Isto me coloca sob um poder escravizante? ( 1 Co 6.12)” (p 92)

A quarta parte vale o preço do livro, e foi intitulada "Vencendo o mundo no ministério." Os pastores irão encontrar insights de Beeke que são tanto um incentivo quanto um desafio. Os capítulos sobre a "sua luta contra orgulho" (cap 17, p 145) e "Seu Conflito com as críticas" (cap. 18, p 151) vem do coração de um pastor experiente e são de grande valor prático para todos os ministros da Palavra, especialmente os mais novos. Ele apresentou algo desse capítulo na 24° Conferência da Fiel em 2008 e por isso talvez pareça familiar para alguns leitores que lá estiveram. Nenhum ministro deve desconsiderar as seguintes palavras: “Nós, pastores, que estamos sempre sob o olhar das pessoas, somos particularmente inclinados ao pecado de orgulho. Conforme escreveu Richard Greenham: “Quanto mais piedoso for um homem, quanto mais graças e bênçãos de Deus estiverem sobre ele, tanto mais ele precisará orar, porque satanás está muito ocupado em agir contra ele e porque é propenso a se envaidecer com uma presunçosa santidade”. O orgulho se alimenta de qualquer coisa...” (p 146).

Joel Beeke demonstra um conhecimento profundo dos puritanos, aliás, ele é reconhecidamente uma autoridade no assunto. Além disso, ele pensa e escreve como um puritano moderno. Para quem gosta de escritos ao estilo dos puritanos, este volume será tão agradável como é convincente. É leitura obrigatória, especialmente para os pastores.

Tolle, lege!
Silas Roberto Nogueira