terça-feira, 26 de janeiro de 2010

OS HOMENS QUE PRECISAMOS







Errol Hulse


Mas agora todos nós somos pequenos homens, dificilmente há, agora, um homem vivo sobre esta terra. C.H. Spurgeon




Desde os tempos mais remotos Deus tem abençoado o Seu povo e sustentado Sua Igreja dando-lhe líderes.


Enquanto os filhos de Israel estavam gemendo sob a escravidão no Egito, Jeová estava preparando Moisés para ser um salvador. Quando as hordas de Midiã enchiam a terra de Israel, levando o povo para os buracos e cavernas nas montanhas, Gideão foi comissionado, e por intermédio de trezentos homens uma grande vitória foi obtida. Quando a Europa estava escravizada nas correntes do Papado e da superstição, Lutero emergiu como o servo enviado por Deus. Quando a Inglaterra caiu novamente em trevas, a voz de Whitefield veio como o toque de uma trombeta para despertar os mortos.


Todos os homens de Deus têm sido equipados por Ele para tarefas singulares, peculiares, Pedro para o Pentecostes, Paulo para os gentios. O cenário está sempre mudando, mas o Senhor sempre tem tido os seus homens.


Em nossos dias uma forte confusão prevalece por todos os lados. Todos nós estamos familiarizados com um certo grau de fraqueza que oprime a Igreja como um todo. A questão é, estamos conscientes da necessidade de uma destacada liderança e, se estamos, estamos orando para que Deus nos envie homens para a época em que vivemos, homens que estão capacitados, chamados e enviados? Não cabe a nós ditar ao nosso Pai celestial o tipo de homens que Ele deveria enviar, mas nós podemos vislumbrar alguns dos dons que podemos encontrar em tais líderes. Vamos interceder fervorosamente por:


1. Homens que acima de tudo tenham corações inflamados de amor por Deus e pelos homens, que temam a Deus e nada mais senão o pecado, que tenham um zelo infatigável pela glória de Deus, que estejam prontos a morrer, se necessário, por Cristo.


2. Homens que sejam exegetas completos, capazes de expor qualquer texto de uma maneira sistemática e convincente fazendo plena justiça ao “background” e contexto bem como à construção do verso no original.


3. Homens que sejam amplamente dotados de compreensão doutrinária, que amem as doutrinas da fé provadas e testadas, que combinem com os poderosos (intérpretes), que saibam discernir as coisas que diferem nos sistemas ensinados por Agostinho e Calvino, Owen e Baxter, Edwards e Gill, Hodge e Warfield.


4. Homens que amem e estudem a história da igreja em todos os seus departamentos, especializando-se, é claro, nas reformas evangélicas e reavivamentos, que amem os mártires, que saibam o que eles criam e pelo que eles morreram, que possam aplicar competentemente um extensivo conhecimento da história da igreja para a época presente, evitando poços nos quais já se caiu antes, e seguindo soluções que provaram ser sadias no passado.


5. Homens que sejam humildes o suficiente para se dedicarem às pequenas esferas de trabalho, mas que ao mesmo tempo tenham uma visão mundial, acompanhando os movimentos missionários em todo lugar, fazendo tudo ao seu alcance de uma maneira prática para ajudar a cumprir a Grande Comissão.


6. Homens que saibam como enfrentar os males da época, que tenham um plano de Deus para nossa atualidade, que sejam competentes e agressivos no evangelismo, não conselheiros de cadeira, mas como Grimshaw e Rowlands, antes filhos do trovão do que “showmen” e artistas de variedades.


7. Homens que estejam bem fundamentados em Apologética Reformada, que saibam a respeito, mas tenham uma perspectiva correta do modernismo e das teorias da ciência, que não sigam os infiéis em um estudo exagerado do criticismo destrutivo (um prática que é a ruína de tantos em nossas faculdades teológicas, mas se concentrem como os apóstolos no poder da pregação Evangelho.

8. Homens que não comprometam a verdade por causa vantagens ainda que sejam capazes de distinguir entre assuntos cardeais e secundários, que tenham a coragem de descartar aquilo que é meramente tradicional, opondo-se aquilo que não tem base nas Escrituras, e ainda respeitem as consciências daqueles que não se classificam para as dimensões espirituais aqui descritas.
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Extraído de Os Puritanos, Ano II, n° 1 Fev. 1993, pp.9,10