segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

LIDERANÇA SEGUNDO JESUS NÃO É UTOPIA


Silas Roberto Nogueira

O tema “liderança” tem recebido grande atenção nas últimas décadas. Livros que tratam do assunto entulham as prateleiras das livrarias por toda parte. Há periódicos seculares e evangélicos especializados no tema, seminários e conferências acontecem com muita frequência. Isso só comprova o interesse geral pelo assunto.


Muitos desses livros e artigos [bem como os seminários, conferências e outras atividades] são produzidos por [alegados] evangélicos que propõe princípios e métodos aplicados com grande sucesso em algumas empresas para serem copiados pela igreja, visando, obviamente, o mesmo resultado.


Esse pragmatismo, uma marca distintiva do meio evangélico moderno, traz consigo muitos malefícios nem sempre discerníveis no momento por causa da euforia com o aparente sucesso. Por isso as palavras de George MacDonald servem como um aviso: “o homem falhará desgraçadamente em qualquer coisa que faça sem Deus, ou, mais desgraçadamente ainda terá sucesso”. Os louros do sucesso hoje podem ser a coroa de espinhos amanhã.


Muito embora liderança seja coisa comum à igreja e ao mundo isso não significa que o conceito para ambos seja o mesmo e de fato não é. É preciso ter em mente que as pressuposições e valores da liderança secular são diferentes dos valores que Deus requer e atribui a liderança da Sua Igreja. É preciso retornar às Escrituras, a nossa única regra de fé e prática, e extrair dela os princípios de liderança espiritual.


Ao fazermos isso logo se destacará a pessoa do Senhor Jesus Cristo como o maior de todos os líderes que já houve. Ele, sem dúvida alguma, é o líder dos líderes (“Reis dos reis, Senhor dos senhores”). Ele nos levará ao cerne da verdadeira liderança, a glória de Deus. Nosso Senhor é o paradigma, a fonte inesgotável não só instrução, mas de ilustração sobre a liderança. Ele nos legou princípios e modelo de liderança que se aplicados com fidelidade produzem resultados e dividendos eternos, não meramente sucesso momentâneo.


O ponto de partida para construir o nosso conceito de liderança segundo o Senhor Jesus é justamente a sua instrução aos discípulos registrada em Mateus capítulo 20:20-28. Fica claro, mesmo que por uma leitura superficial do texto que não é de hoje que alguns têm uma má compreensão do que vem a ser liderança na Igreja.


A mãe de Tiago e João, que ambicionavam posição e poder, procurou ao Senhor Jesus, como porta voz dos filhos, pedindo-Lhe que concedesse a eles posições “à direita e à esquerda” em Seu reino vindouro. Pensa-se que, além da ignorância quanto à natureza do reino, ela tomou essa liberdade em decorrência dos laços familiares com Jesus, pois era sua tia. O pedido de Salomé implicava em conceder aos seus filhos a maior honra concedida nas corte orientais, nada menos que isso. Tal coisa provocou uma agitação entre os discípulos contra os irmãos. A situação serviu para que o Senhor Jesus lhes oferecesse [e a nós] uma importante lição acerca do que vem a ser liderança.


Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles.26 Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 27 e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; 28 tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.


Uma das coisas que podemos observar é que existem dois modelos de liderança em contraste aqui. Um é o “modelo do governante secular”, que retrata os líderes como chefes, como pessoas que exercem autoridade sobre outros pela força de suas posições. A palavra usada para “dominam” é uma forma intensiva cujo sentido é o de liderar ou governar subjugando, como um tirano. Isso ficou gravado a mente de todos os discípulos, mas especialmente na de Pedro. Ao referir-se aos pastores em sua primeira Epístola, exortou-os a pastorearem sem constrangimento, ganância e nem como dominadores, usando a mesma palavra que o Senhor usou naquela ocasião (1 Pedro 5:3). Observe que o Senhor Jesus não critica esse modelo de liderança no mundo, foi instituído por Deus (João 19:11; Romanos 13:1 segs.). Ele não é mau em si mesmo, mas o Senhor deixa claro que é mau na igreja.


Não é assim entre vós

na NVI:
Não será assim entre vocês

John Knox traduziu assim:
convosco tem de ser diferente


Dessa maneira o Senhor apresenta o seu (contra) modelo de liderança. Uma reação a autopromoção dos discípulos. Para Ele o líder é servo. O Senhor Jesus usou dois termos, um deles serve para ilustrar o serviço voluntário do líder (“que vos sirva” – diakonos) ,o outro o caráter compulsório (“será vosso servo” – doulos, escravo) . Não são duas formas de liderar, mas uma como os dois lados de uma moeda.


Assim sendo, entre os discípulos no Corpo de Cristo, os líderes não estão “acima” do povo, mas “entre” o povo, não como chefes que mandam, mas como servos que fazem (junto). Alguém lembrou que esse tipo de liderança tem uma implicação tríplice, a primeira é o sacrifício (“tal como o Filho do homem”), a segunda a humildade (“vos sirva”) e a terceira a submissão (“vosso servo”).


Esse modelo de liderança servil apresenta algumas vantagens em relação ao modelo secular. Em Mateus 23:1-12 o Senhor Jesus novamente repete o Seu conceito de liderança, mas agora revela como será o relacionamento neste modelo:


Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos.9 A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus.10 Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo.


Não haverá “mestres”, “pai” e “guias” – em outras palavras não haverá uma distinção hierarquizante, mas uma relação igualitária – “Todos sois irmãos”. Nos dias do Novo Testamento os líderes religiosos gostavam de serem chamados de ‘mestres’ (rabinos), ‘pai’ e ‘guia’, como atualmente alguns erradamente querem ser chamados papas, pastores, reverendos, missionários, mestres, doutores, apóstolos, bispos e outras coisas mais.


O líder servo, por não estar acima dos outros, como nos modelos comuns de liderança não é encarado com alguém diferente do grupo que lidera (v.2,6,7). Um relacionamento hierárquico facilita a transmissão de tarefas, mas dificulta o intercâmbio de informações pessoais (v.3). Geralmente a comunicação neste modelo de liderança ocorre numa via só. Um manda, o outro obedece (v.4). Já no caso do relacionamento nivelado ou igualitário – “todos irmãos” – as pessoas são colocadas no mesmo nível havendo intercâmbio de informações pessoais. Quando o grupo percebe que o líder é como qualquer dos componentes, um ser humano com suas limitações e falhas, a comunicação se dá em duas vias, é bilateral. Isso facilita a realização das tarefas.


No modelo proposto por Cristo, o líder não apenas dá ordens, mas faz junto ‘com’. Um líder servo dirige o outro pelo exemplo, por aquilo que é e faz:


“mas o maior dentre vós será o vosso servo” (v.11)


Manfred Grellert diz com sabedoria: “quem não encarna um espírito de serviço não tem o direito de exigi-lo de seus liderados. Aliás, nem consegue ensiná-lo porque serviço tem a ver com espiritualidade”.


Josué Campanhã tratando do assunto de liderança servil disse que o conceito não é difícil de ser assimilado, mas não é tão fácil como parece. Segundo ele: “assimilar conceitos de livros sobre como se tornar um líder servo é bem diferente de passar pelo processo de se tornar um servo. A formação de um líder servo não estará completa com a assimilação de alguns conceitos. É necessário um processo. A primeira parte do processo implica em o líder desaprender muito do que sabe sobre liderança, contrariando a essência do que significa ser servo. A segunda parte do processo requer padecer as dores de tornar-se servo”.


A questão é estar disposto a pagar o preço da liderança servil, que inclui:

(a) Críticas. Nenhum líder consegue evitar a crítica. Não importa se faz ou não alguma coisa, ele será criticado. Se Cristo foi criticado, não espere algo diferente.

(b) Cansaço. O exercício da liderança pode ser cansativo, estressante. Cristo muitas vezes esteve cansado.

(c) Solidão. Nem todos permanecem à nossa volta o tempo todo, especialmente nos momentos críticos. Cristo estava enfrentou a solidão, mesmo rodeado de discípulos sonolentos no jardim do Getsemane.

(d) Angústia. Exatamente por estarmos sozinhos, sob pressão, enfrentaremos a angustia. Cristo enfrentou a angústia no Getsemane.

(e) Rejeição. Como resultado de decisões difíceis que tocarão em alguns, enfrentaremos a rejeição. Cristo sofreu rejeição em sua terra natal e dos seus próprios irmãos.


É preciso lembrar que não se deve entrar na liderança espiritual sem avaliar o custo e não se deve parar antes de terminar a obra.


Depois de avaliarmos o custo da liderança servil é preciso que descubramos o perfil do líder segundo o Senhor Jesus Cristo, que é diferente do perfil do líder no mundo corporativo.

(a) Certa vez o Senhor Jesus propôs uma parábola de um cego guiando outro cego e dos resultados óbvios e nefastos disso.

Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco? Lucas 6:39

Bem, a lição é que ninguém pode ter esperança de servir como guia para outras pessoas a não ser que ele mesmo veja claramente para onde está indo. Se o líder espiritual não conhecer pessoalmente o caminho da salvação, só guiará outros à perdição. Quem ainda não teve os olhos espirituais abertos não pode querer conduzir outros para a luz. Portanto, a primeira característica do líder espiritual é que seja REGENERADO.

Pode parecer ridículo alistar a regeneração como perfil do líder cristão, mas não é. A história da igreja registra muitas ocasiões em que homens irregenerados assumiram altas posições na igreja e não me admira que alguns ainda estejam por lá. Conta-se que Rafael pintava os afrescos do Vaticano quando alguns cardeais pararam por perto a fim de observr o trabalho. “O rosto do apóstolo Paulo está vermelho demais”, disse um deles. Rafael respondeu: “ele cora ao ver nas mãos de quem está a igreja”.

A liderança espiritual é de natureza diferente da secular e exige uma natureza diferente para aquele que quer ser líder na igreja. Liderança é assunto de serviço e serviço é um assunto do coração, assim se o coração não é transformado, não pode aspirar servir.


(b) Espera-se que aquele que teve os olhos abertos, isto é, iluminados pelo Sol da justiça, permaneça na luz. A SANTIDADE é característica que se deve exigir daquele que se propõe a liderar o povo santo de um Deus santo. Os líderes espirituais dos dias do Senhor Jesus Cristo mantinham as mãos rigorosamente limpas, mas tinham os corações tremendamente impuros, por isso Ele os definiu como “cegos, guias de cegos” (Mateus 15:14). Cristo, nosso paradigma de liderança espiritual, era santo e isso fazia toda a diferença entre a Sua liderança e a deles. Os apóstolos eram homens santos, e isso fazia toda a diferença na igreja primitiva. O líder cristão deve orar pedindo ao Senhor, a exemplo de Davi, um coração puro e um espírito inabalável (Salmo 51:10).

Robert Murray McCheyne disse: “Deus abençoa muito mais a grande semelhança com Jesus do que os grandes talentos”. Não devemos escolher os nossos líderes por seus talentos ou dotes naturais, mas por sua santidade.


(c) Um líder deve ser alguém que tem uma VISÃO. O homem que Deus usa na liderança de Seu povo precisa ter uma visão do alvo e dos objetivos finais da organização e organismo [a igreja é ambas as coisas] que ele dirige. Um cego está desqualificado, segundo o Senhor Jesus. Dr. Shedd comenta: “ele precisa, em oração, olhar para o futuro com sua imaginação e perceber o propósito central que trouxe a igreja ou o grupo à existência. Ele vê claramente o final para o qual existe. Cada investimento em tempo, em dinheiro, em pessoas e em sacrifício necessita mover-se na direção daquele objetivo. Para líderes cristãos, a glória de Deus, refletida em seu reino em sua justiça, será o alvo final de todo esforço e planejamento organizacional”.

Um líder sem visão não merece ser seguido, segui-lo pode ser muito perigoso. Um líder sem visão toma qualquer caminho, afinal, qualquer caminho serve para quem não sabe para onde vai.


(d) O AMOR é a característica vital do líder segundo Jesus. Sem amor é impossível encarnar o conceito cristão de liderança e é impossível liderar com eficiência. O amor é aquilo que aproxima o líder do grupo. Em João capítulo 10 Jesus estabelece o contraste entre o bom pastor e o mercenário. O sentido do termo “mercenário” (v12,13) é o de alguém que é pago para fazer o seu trabalho, alguém que está mais comprometido com o seu bem estar do que com o bem estar das ovelhas. Mas o bom pastor ama as suas ovelhas e está disposto a dar a sua vida pelo seu bem estar, mas o mercenário foge quando os perigos aparecem. Um líder espiritual que não ama é como um mercenário que deixa o grupo a qualquer momento que sua reputação ou seus interesses correm perigo, não se importando com os seus liderados.

Há um debate acirrado sobre a profissionalização do trabalho pastoral, que em minha opinião só mostra o quanto estamos na contramão dos princípios bíblicos. O aumento de demandas judiciais entre pastores e igrejas só traz vergonha ao evangelho (1 Coríntios 6:1-7). A profissionalização da atividade pastoral é um indicativo da mercantilização da fé, do quanto estamos longe do entendimento bíblico de que a atividade pastoral é uma vocação. Os mercenários receberão o justo juízo quando o Juiz de toda a terra chamá-los à prestação de contas naquele grande e terrível dia.


(e) A exemplo do Senhor Jesus que tinha a plenitude do Espírito Santo, o líder espiritual deve SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO. Liderar como Ele liderou só pode ser efetivado se for no poder do Seu Espírito, pois foi o Espírito que o capacitou a realizar a Sua obra, Hebreus 9:14. A igreja primitiva foi orientada a escolher seus líderes entre os que fossem “cheios do Espírito” (Atos 6:3) e o que vale para aquela igreja sem dúvida alguma vale para nós hoje, isso porque em certo sentido a igreja é a mesma. A plenitude do Espírito é essencial à liderança espiritual, visto que a garantirá a condução dos liderados à verdade, João 16:13. Um líder que reproduz o caráter de Cristo conduzirá como Cristo.

Na atualidade há igrejas que, seguindo as normas mundanas, tem escolhido os seus líderes estabelecendo um perfil que prima pela formação, aparência e idade, mas despreza o que realmente é essencial, o caráter, a semelhança com Cristo e a plenitude do Seu Espírito.


Vou adaptar aqui o que Michael Youssef, um dos líderes do Instituto Haggay destacou como os princípios de liderança segundo o Senhor Jesus:

(a) Todo líder deve ser confirmado como líder antes de liderar. Assim como o Senhor Jesus Cristo foi confirmado pelo Pai, pelo testemunho de João, o batista, do Espírito Santo, das Escrituras, dos sinais miraculosos e, finalmente, pelos discípulos – os líderes hoje precisam ser igualmente confirmados por Deus, afinal é Ele quem chama os líderes e confirmados pela Igreja.

(b) Todo líder deve prestar reconhecimento aos que o precederam. Isaac Newton disse: “Se vi mais longe do que os outros homens, foi porque estava de pé sobre os ombros de gigantes”. Em João 4:26-38 o Senhor Jesus fala da recompensa dos ceifeiros, mas lembra que outros plantaram. Em outras palavras, todo ceifeiro tem um débito de gratidão para com o semeador.

(c) Todo líder tem que se identificar com o grupo que lidera. O Senhor como o bom pastor conhecia as suas ovelhas e era conhecido por elas, assim o bom líder deve conhecer aqueles a quem lidera. Quanto maior o grau de identificação, maior a possibilidade de liderança sem traumas. A encarnação nos ensina isso, Cristo identificando-se com os que pretende salvar e guiar.

(d) Todo líder deve liderar com coragem. A liderança secular se estabelece pela lisonja, na maioria das vezes. Cristo não adulou Nicodemos, segundo podemos ler em João capítulo 3. Nicodemos era um líder influente, seu apoio poderia representar muito, mas o Senhor Jesus não transigiu, antes mostrou-lhe corajosamente a sua necessidade de novo nascimento, a regeneração. Nossa cultura é receptiva a líderes que não fazem exigências morais rigorosas. Mas esse não era o estilo de liderança do Senhor Jesus. Não fosse a coragem do Senhor em João capítulo 3 ninguém ouviria falar de Nicodemos no capítulo 19. Liderança segundo Jesus se estabelece com coragem. Líderes covardes são impostores.

(e) Todo líder deve ser manso. Coragem e mansidão não são conflitantes, mas virtudes completares. A mansidão não permite a corrupção da coragem em rudeza e a coragem não deixa a mansidão se tornar complacência ou tibieza. No modelo de liderança de Jesus o líder exerce a sua autoridade com mansidão. A autoridade não flui do cargo, da posição, mas do caráter. A mansidão de Cristo é indiscutível, assim como a Sua liderança firme e corajosa. O líder de hoje precisa manifestar a sua mansidão em submissão à Deus e no fato de ser alguém disposto a aprender.

(f) Todo líder deve valorizar a pessoa em detrimento da coisa. Alguém já disse com sabedoria que devíamos usar coisas e amar pessoas e que fazer o contrário é pecado. Em João capítulo 5 o Senhor Jesus operou um milagre no dia de sábado. Ele rompeu uma tradição humana, mas não quebrou o espírito da Lei. O sábado foi feito por causa do homem, assim sendo era lícito curar num sábado. Mas a tradição dos homens não se dispunha a isso, por isso mesmo Cristo a rompeu. Jesus amava pessoas e usava coisas, os líderes do seu tempo usavam as pessoas e amavam as coisas. O estilo de liderança do Senhor coloca as pessoas valoriza a pessoa em detrimento da coisa. A necessidade humana vem primeiro, depois o regulamento.

(g) Todo líder deve ser capaz de perdoar. Perdão é a encarnação da graça. Se alguém não tem graça suficiente para perdoar é certo que não terá graça suficiente para liderar. Uma das características do verdadeiro líder é a capacidade de perdoar. Perdoar torna a liderança mais eficaz, pois ninguém consegue trabalhar com alguém por quem nutre profundos ressentimentos.

(h) Todo líder deriva sua autoridade do seu serviço. A autoridade é essencial à liderança. O conceito de Cristo de liderança servil não significa renuncia a autoridade, mas é o seu fundamento. Cristo se fez servo e isso não implicou em perca de autoridade. A cruz e a toalha são símbolos do cristianismo, ambos falam de serviço e ambos foram exercidos com autoridade.


O modelo de liderança de Jesus não é impossível de ser praticado, não é uma utopia, afinal Ele praticou. Ele nos legou um modelo que pode e deve ser praticado por Sua igreja e que jamais deveria ser desprezado. É justamente a idéia de que este modelo está além das nossas possibilidades que tem facilitado a adoção de modelos estranhos ou culturais. John Stott diz que “nosso modelo de liderança frequentemente é mais talhado pela cultura do que por Cristo, muitos modelos culturais de liderança são incompatíveis com a imagem da liderança servil, ensinada e demonstrada pelo Senhor Jesus. No entanto, esses modelos culturais estranhos à igreja são incorporados a ela e à sua hierarquia de forma indiscriminada. Na África se trata do chefe tribal; na América Latina, do machismo (a masculinidade exacerbada0 do macho hispânico; no sul da Ásia, do guru religioso bajulado por seus discípulos; no leste da Ásia, o legado da inquestionável autoridade do mestre deixado por Confúcio e na Grã-Bretanha, a mentalidade imperialista britânica, o orgulho arrogante associado ao período de dominação britânica até a independência da Índia, em 1947. É fácil para os líderes cristãos assimilarem um ou outro desses modelos, sem que percebam. Porém, precisamos determinar que não há lugar na comunidade cristã para o guru ou para o mestre...para o chefe africano, para o imperialista britânico ou para o machista hispânico.” Definitivamente esses modelos não são coerentes com a liderança segundo Jesus Cristo, o único modelo que a igreja deve seguir.


Soli Deo Glória.