segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

“O Príncipe dos Puritanos”


Autor: Silas Roberto Nogueira

John Owen nasceu em 1616, na vila de Standhan, Oxfordhire, onde seu pai fora pastor. De seu pai sabemos que era um “não conformista toda a sua vida e um laborioso trabalhador na vinha do Senhor”[1] , entretanto, da sua mãe, dos três irmãos e uma irmã nada sabemos. Precoce, aos dez anos foi enviado para a escola que o prepararia para ingressar na Universidade (Queen’s College, Oxford), fato que se deu quando ele tinha apenas doze anos, 1928. Tinha só 16 anos quando recebeu o seu diploma de Bacharel em Artes (B.A., em 1932) e 19 anos quando obteve o Mestrado (M.A., 1635). Era tão aplicado aos estudos que não se permitia mais que 4 horas de sono por noite.
Após ter sido transferido para Londres em 1637 por objetar os estatutos de William Laud (1573-1645), bispo anglicano que se opunha à causa dos puritanos, algo de surpreendente lhe ocorreu. Num domingo de 1642, acompanhado de um primo, Owen decidiu ouvir o famoso pregador presbiteriano Edmund Calamy, na Igreja de St. Mary Aldermanbury. Um contratempo evitou que Calamy pregasse e um outro pregador o substituiu. Embora seu primo insistisse em ir embora, Owen permaneceu e ouviu o simples pregador tomar Mateus capítulo 8:26 (“por que temeis, homens de pouca fé”) para expô-lo. Usando esse simples pregador, Deus operou no coração de Owen algo maravilhoso tirando-lhe toda dúvida, temores e certificando-o da veracidade da sua regeneração e da sua salvação, imprimindo-lhe profunda paz. Em 1643, depois de estudar profundamente o arminianismo, escreveu seu primeiro livro cujo titulo é paragrafal “A Display of Arminianism: being a Discovery os the old Pelagian idol, free-will, whit the gooddess, contingency, advancing themselves into the throne of God in heaven to the prejudice of His Grace, providence and supreme dominion over the children of men” (Uma Demonstração do Arminianismo: sendo uma descoberta do antigo ídolo pelagiano, o livre-arbítrio, com uma nova deusa, a contingência, avançando eles mesmos para o trono de Deus no céu, para prejuízo de Sua graça, providência e domínio supremo sobre os filhos dos homens). A partir de então, Owen não parou mais de escrever, sendo que suas obras, totalizando 24 volumes, são até os dias de hoje uma fonte de edificação e benção.
Em 16 de julho de 1643, Owen tornou-se pastor de uma pequena igreja em Fordhan, Essex. Em 1644 casou com Mary Rooke que lhe deu 11 filhos dos quais nenhum sobreviveu a ele. Uma de suas filhas que alcançou a idade adulta, após um casamento fracassado, morreu em sua casa de tuberculose. Owen experimentou a inenarrável a dor de sepultar todos os filho e, mais tarde, a sua esposa com quem esteve casado por 31 anos.
Em 1646 ele foi chamado para assumir uma congregação em Londres, cuja freqüência era de duas mil pessoas [2]. No mesmo ano foi convidado para pregar no Parlamento oportunidade que lhe abriu caminho na política. Em 1647 Owen escreveu A Morte da Morte na Morte de Cristo, sobre o qual comenta James Packer “é uma obra polêmica, cujo intuito é mostrar, entre outras coisas, que a doutrina da redenção universal é antibiblica e destrutiva do evangelho”.[3]
Em 1648 pregou à tropa sob comando do General Fairfax, quando conheceu o genro de Cromwell. Mais tarde, Oliver Cromwell (1599-1658), líder do governo na ausência do rei, fez de Owen seu capelão e em 1651 o indicou como Deão (Universidade) da Igreja de Cristo, em Oxford. Depois, em 1652, foi indicado Vice-Chanceler. A Universidade estava num estado lastimável naqueles dias, mas o talento administrativo de Owen a reorganizou com êxito. Além das suas responsabilidades administrativas, era ainda responsável pela pregação e uma infinidade de coisas. Ainda assim encontrava tempo para escrever e nesse período produziu pelo menos 22 obras! Uma delas, sobre a Perseverança dos Santos, de 1654, com mais de 600 páginas! Outras obras foram Sobre a Mortificação do Pecado nos Crentes (Of the Mortification os Sin n Believers, 1656), Sobre a Comunhão com Deus (Of Communion whit God,1657) e Sobre a Tentação: A Natureza e o Poder dela (Of Temptation: The Nature and power os It, 1658).
Em 1658, ao lado de Thomas Goodwin, Phili Nye, William Bridge, W. Greenhill e Joseph Caryl (ex-membros da Assembléia de Westminster) participou de um congresso de ministros congregacionais, no Savoy Palace, Londres. O objetivo da conferencia era preparar uma confissão de fé como a de Westminster, que ficou conhecida como A Declaração de Savoy.
Mary Rooke, sua esposa, faleceu em 1675 e Owen contraiu novas núpcias dezoito meses depois com uma senhora de posses. Em 1657 deixou a Vice-Chancelaria da Universidade, dois anos depois da morte de Cromwell, 1660, deixou de ser o Deão. A partir de 1660 liderou os independentes “através dos amargos anos de perseguição. Foi lhe oferecida a presidência de Harvard, mas ele rejeitou a oferta.”[4]. Em 1681 esteve gravemente enfermo e isso o obrigou a tomar tempo para meditação, o que resultou em mais uma obra A Graça e o Dever de Pensar Espiritualmente (The Grace and Duty os Being Spiritually Minded, 1681).

Em 24 de agosto de 1683 John Owen falecia após sofrer algum tempo com a asma e cálculos biliares.Ele foi enterrado em 4 de setembro, no Bunhill Fields, Londres.

Erroll Hulse declarou : “os escritos de Owen revelam uma mente analítica, formativa e majestosa. Fundamental em toda a sua obra é o apego profundo às doutrinas da graça.”

James I. Packer referindo-se a Owen disse: “em uma época de gigantes [a dos puritanos], ele sobrepunha a todos.”

Por Silas Roberto Nogueira
Soli Deo Gloria!

Recomendo a leitura:
(resumos das obras de Owen publicadas em português)
Pensando Espiritualmente (PES)
Por quem Cristo Morreu (PES)
A Tentação e A Mortificação do Pecado (PES)
A Glória de Cristo (PES)

Para mais informações sobre os Puritanos:
Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse, (PES)
Os Puritanos, Suas Origens e Seus Sucessores, Lloyd-Jones (PES)
Entre os Gigantes de Deus, J. I. Packer, (FIEL)
Santos no Mundo, Leland Ryken (FIEL)


[1] Os Puritanos, suas origens e sucessores, Lloyd-Jones, pág. 88 (PES).
[2] Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse, pág. 166 (PES)
[3] Por Quem Cristo Morreu?, pág.5 (PES)
[4] Entre os Gigantes de Deus, pág. 208 (FIEL)