sexta-feira, 21 de dezembro de 2007


Jonathan Edwards
(parte 1)
Autor: Silas Roberto Nogueira


Jonathan Edwards nasceu em 5 de outubro de 1703 em East Windsor, Connecticut. Era filho do consagrado pastor congregacional Timothy Edwards (1668-1759) e de Esther Stoddart, filha do Pastor Solomon Stoddart, de Nortampton, Massachussetts. Precoce, Edwards aos 6 anos já dominava o latim, aos 11 já havia escrito um ensaio sobre os hábitos de uma espécie de aranhas. Com 12, escrevendo a uma de suas irmãs, atribuía a “maravilhosa misericórdia e bondade de Deus” a atuação e o derramamento do Espírito Santo que presenciara. Antes dos 13 anos, já dominando os idiomas bíblicos originais, ingressou no Colégio de Yale, New haven, onde obteve o grau de Bacharel em 1720 e Mestre em 1722. Por oito meses, entre 1722 e 1723, pastoreou uma igreja presbiteriana em Nova Iorque. A igreja desejava que ele permanecesse, mas ele declinou. Nesse período ele redigiu as suas célebres Resoluções, as 70 regras de disciplina pessoal a que se submetia. Ainda começou a escrever seu Diário, onde faz uma auto-avaliação sobre até que ponto estava praticando suas Resoluções, e Miscelâneas, onde registrava o progresso do seu pensamento. Entre os anos de 1723 a 1726, Edwards lecionou em Yale, e destacou-se por sua lealdade e ensino ortodoxo. No mesmo ano, começou a trabalhar como pastor auxiliar ao avô Solomon Stoddart (1643-1729) na igreja de Northampton, Massachussetts. O Rev. Solomon Stoddart pastoreava essa congregação desde 1669, era uma igreja influente e sua assistência incluía quase toda a população da cidade, de cerca de dois mil habitantes.
Em julho de 1927, Edwards contraiu núpcias com Sarah Pierrepont, então com 17 anos, filha de James Pierrepont (1659-1714), pastor de uma igreja em New Haven. Havia grande amor, harmonia e companheirismo entre os dois. Sua vida familiar foi modelo para muitos, inclusive para Whitefield que se hospedou em sua residência durante alguns dias, em 1740. Jonathan e Sarah tiveram onze filhos (oito filhas e três filhos), que ao contrário do que ocorreu a Owen, todos chegaram a idade adulta, um fato raro para a época. Em 11 de fevereiro de 1729 Solomon Stoddart faleceu e legou a seu neto a grande responsabilidade de conduzir sozinho o rebanho, tornando-se pastor titular da igreja.
Entre os anos de 1734 e 1735 um poderoso avivamento irrompeu em sua congregação quando Edwards pregava uma série de sermões sobre a justificação pela fé. Edwards se dispôs a estudar os eventos ocorridos durante o avivamento em Northampton e, em 1736, publicou algo sobre a natureza da experiência religiosa sob o título de Narrativa de Conversões Surpreendentes. Uma segunda fase desse avivamento ocorreu entre 1740 e 1742 irradiando-se pelas treze colônias norte-americanas e fazendo com que milhares fossem despertados a Cristo e se agregassem às igrejas. Em 1740 George Whitefield esteve com Edwards por alguns dias e pregou em Northampton causando grande impressão nos ouvintes, inclusive no próprio Edwards, que ficou muito emocionado durante a pregação. Mas tal avivamento dividiu o povo das igrejas em dois grupos, apoiadores (chamados New Ligths – novas luzes) e opositores (OLd Ligths – velhas luzes), dos quais o mais destacado foi Charles Chauncy, de Boston. Edwards se viu obrigado a batalhar em duas frentes, repudiando os excessos de alguns pregadores sensacionalistas e o rigor dos que tudo consideravam emocionalismo. Assim, em 1741, ele publicou Marcas Distintivas de uma Obra do Espírito Santo e no ano seguinte, 1742, Alguns Pensamentos Acerca do Presente Reavivamento da religião na Nova Inglaterra, em ambas essas obras ele se propõe analisar e tratar dos eventos ocorridos durante o período do avivamento. É curioso o fato de que nessa última obra mencionada, Edwards tenha se baseado em algumas experiências extáticas de sua própria esposa, Sarah. Sabe-se que durante uma viagem de Edwards, Sarah teve fortes e impressionantes experiências com Deus e, quando ele retornou, encontrou muitos comentando sobre o assunto. Edwards conversou com Sarah a respeito de tais experiências e convenceu-se de que vinham de Deus. Em 1746 ele publicou Tratado das Afeições Religiosas, um trabalho mais amadurecido e baseado em uma série de sermões em 1 Pedro 1:8, onde mostra a diferença entre o verdadeiro e o falso na esfera da experiência espiritual.
Enquanto se gastava em defender o avivamento e na mesma intensidade repudiar os excessos de alguns do movimento, ainda esteve envolvido em uma grave crise em sua própria igreja que culminou em sua demissão do pastorado. Edwards se posicionou firmemente contra a participação de pessoas que não professavam a fé cristã na Ceia do Senhor, indo contra o costume estabelecido pelo seu avô, Solomon Stoddart, desde 1677. Piper comenta que Stoddart “via a Ceia como uma ordenança para a transformação das pessoas” [1] e Edwards repudiou tal conceito como antibíblico e em 1749 chegou até publicar um livro Qualificações para a Comunhão, onde argumenta que só os regenerados podem participar da Ceia. Em 2 de junho de 1750 a sua exoneração foi decidida pelo conselho e confirmada pelo voto congregacional no dia 22 do mesmo mês, onde 230 foram favoráveis a sua demissão e 23 posicionaram-se contrários. Assim, em 1 de julho ele pregou seu sermão de despedida. Suas palavras finais nesse sermão foram:
"Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (I Pedro 3:10-11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos Coríntios em II Coríntios 13.11: "Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco."
Após sua saída de Northampton, Edwards foi para Stockbridge, Massachusetts, para trabalhar como missionário aos índios. Esse período foi o mais fértil de sua produção teológica. Ali ele escreveu, entre outros livros, A Liberdade da Vontade, 1754, onde argumenta que o ser humano é livre (embora sua vontade não seja uma faculdade independente, mas consistente com sua natureza), mas Deus é soberano e o único responsável pela salvação do homem. Também escreveu O Fim para o Qual Deus Criou o Mundo, 1753, A Natureza da Verdadeira Virtude, 1754, ambos publicados postumamente em 1765 e O Pecado Original, em 1758. Começou a colossal História da Obra da Redenção, mas não pode concluí-la. Nessa obra Edwards pretendia traçar a atuação de Deus desde o princípio da criação até os seus dias. Os sermões que constituíam o material básico dessa obra foram publicados na Escócia em 1774 e depois nos Estados Unidos, em 1786.
Edwards ainda encontrou tempo para escrever a biografia de David Brainerd (1718-1747), um jovem missionário que se enamorou de sua filha Jerusha, mas que veio a falecer aos 29 anos, vítima da tuberculose. Edwards oficiou a cerimônia fúnebre e pregou um sermão sobre o céu e a glória que aguarda os filhos de Deus.
Ele escreveu cerca de mil e duzentos sermões, entre eles o memorável Pecadores nas Mãos de um Deus Irado, que pregou em 8 de julho de 1741 em Enfield, Connecticut, tendo Dt. 32:35 como base “...a seu tempo, quando resvalar o seu pé”. Houve um forte impacto sobre a vida dos ouvintes naquela época. Há relatos de que antes mesmo que terminasse o sermão algumas pessoas começaram a gemer e gritar, pois sentiam que seriam precipitadas no inferno naquele momento e perguntavam desesperadas em alta voz o que era necessário fazer para que fossem salvas.
Em 1757, pela sua notoriedade como educador, teólogo e filósofo Edwards foi convidado a assumir a direção do Colégio de Nova Jersey, futuramente a Universidade de Princeton. Embora tenha tentado dissuadir os Curadores do Colégio quanto à sua escolha por entender que não tinha qualificações necessárias, terminou aceitando o convite. Em janeiro de 1758 chegou a Princeton para assumir a Presidência do Colégio.
Em 13 de fevereiro permitiu-se ser vacinado contra a varíola, doença que assolava Princeton na época. Apesar do aparente sucesso da vacina, sua constituição física já comprometida não agüentou e ele adoeceu gravemente. Teve muita febre e sua garganta inflamou de tal maneira que não lhe permitia ingerir medicamentos e ele definhou rapidamente. Em 22 de março de 1758 Jonathan Edwards faleceu aos 54 anos. Suas últimas palavras, segundo alguns que o assistiam, foram: “Confie em Deus e você não precisará temer”.

Silas Roberto
Soli Deo Gloria


[1] Supremacia de Deus na Pregação, John Piper, pág. 70

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O GRILO

Gióia Junior

Numa noite clara,
de Lua redonda
como um queijo branco
no prato do céu,
do meio do mato
uma voz ouvi,
que falava sempre:
CRI...CRI... CRI...

Vestido de noite,
perdido no escuro,
parado num canto
que não descobri,
seu corpo comprido,
de inseto elegante,
confesso não vi...
Só ouvi seu canto
na perdida sombra:
CRI...CRI... CRI...

Estava sozinho,
sem algum amigo
com quem conversasse;
então decidi:
“Com o grilo alegre
vou travar conversa”.
-Ei, grilo, não temas,
que eu não sou de briga!
Creste no que eu disse?
...e o grilo, do escuro,
respondeu na hora,
como se entendesse:
CRI...CRI...CRI...

Fiquei muito alegre,
ele me entendia
e me respondia
com satisfação...
Pus-me a contar fatos
que o deixaram quieto,
prestando a atenção:
“Uma vez, amigo,
veio um homem
muito meigo e puro
perdoando a todos,
libertando escravos,
saciando os pobres
e curando enfermos;
homem tão bondoso
como igual não vi...”
-Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI... CRI... CRI...

"...Pois o tal profeta
(Ele era profeta),
como fosse humano,
dedicado e amigo,
recebeu dos homens
o pior castigo
que já conheci:
-numa cruz pesada
foi crucificado,
suas mãos sangraram,
rasgadas, feridas,
sua fronte clara
foi lavada em sangue,
padeceu torturas
como nunca vi...”
-Creste no que eu disse?
...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI...CRI... CRI...

“...Mas, um dia, um belo
dia de domingo,
Esse homem puro,
que nenhum pecado
no mundo provou,
rompeu as cadeias
da morte gelada,
e ressuscitou...
Seu corpo, na pedra
do escuro sepulcro,
ninguém mais achou...
o nome bendito
do ser soberano
da glória e da luz
soa como um hino,
às vezes humano,
às vezes divino,
o nome é ... JESUS...

Esse doce amigo
que sofreu assim
padeceu castigo
e morte por mim.
Para ser sincero,
devo confessar:
Ele foi ferido
para me salvar...”

-Bem, já se faz tarde,
vou dormir, amigo,
boa-noite, grilo...
Mas, ó companheiro,
tu creste de fato
no que eu disse aqui?

...Respondeu-me o grilo,
como se entendesse:
CRI, CRI, CRI, CRI, CRI!!!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O Fator Infidelidade



Segundo a pesquisa nacional do Datafolha sobre a família, a fidelidade é a qualidade mais desejável no “parceiro”, inclusive nas relações extraconjugais! A infidelidade foi apontada por 53% dos entrevistados como o fator mais prejudicial ao casamento[1]. É claro que não precisamos de uma pesquisa para estabelecer que a infidelidade é um desastre para a família e que seus malefícios se estendem a toda sociedade. A Bíblia já deixa isso bem claro. Infidelidade foi condenada por Deus em seus mandamentos (Ex.20:14; Dt. 5:18) para preservar a família. Nos tempos do Velho Testamento o adultério era considerado uma “contaminação” (Lv.18:20) e era punido com a morte por apedrejamento (Lv.20:10; Dt.22:22-24). A aplicação da pena capital evidencia a gravidade deste pecado e o mal que representava, tanto para o indivíduo envolvido (Pv.6:29,32) como para a sociedade (“assim, eliminarás o mal de Israel” Dt.22:22-ARA) ,visto resultar na desintegração familiar. O Senhor Jesus deixa claro que a infidelidade pode por fim ao matrimônio pelo divórcio (“a não ser por infidelidade” Mt.5.32 – VIBB)[2]. A infidelidade é uma desgraça para todos os tipos de relacionamento, mas a fidelidade, em especial a matrimonial, deve ser sempre honrada, cf. Hb.13.4. Disse alguém com acerto que “não se cai em adultério, mas entra-se aos pouquinhos” especialmente quando se ignora sistematicamente a sinalização de perigo. Richard Baxter dizia “não só abomine o adultério, mas tudo aquilo que conduz a impureza e a violação do seu matrimônio”. A vergonhosa infidelidade do marido de Mical com a mulher de Urias, registrado nas Escrituras em 1 Samuel capítulo 11 nos ensina algumas lições sobre os sinais que não devemos ignorar. Devemos olhar para o triste episódio de Davi com Bateseba com as palavras de Paulo em mente “porquanto tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito” (Rom. 15:4).
1. Primeiro sinal: Davi não soube administrar suas prioridades, v.1. Davi deveria ter ido com o exército à batalha, mas resolveu ficar em Jerusalém. O período de trégua já (o inverno, tempo das chuvas) havia passado, agora era a hora de sair à batalha. Não se explica a razão porque ele quis ficar em Jerusalém, mas o “porém” indica que isso foi um ingrediente que deu ocasião ao erro. A lição é: precisamos discernir bem as nossas prioridades, pois se não o fizermos, muito certamente iremos errar em nossa trajetória.

2. Segundo sinal: Davi estava vulnerável, v.2. Devemos notar que parece faltar a Davi um relacionamento conjugal saudável (I Cr.3.1,9; Dt.17.17). Ele não está acompanhado de esposa, está solitário e vulnerável. A lição é: há situações que precisam ser evitadas a todo custo. Cada um de nós deve observar os locais e circunstâncias de risco para nossa vida e evitá-los. Faça um ‘check-up’ na sua relação e busque possíveis vulnerabilidades e peça ajuda para saná-las.


3. Terceiro sinal: Davi excluiu do seu dia a meditação na Palavra de Deus, v.2. O texto é bem claro, Davi dormiu parte do dia e quando se levantou, resolveu caminhar sem propósito. A falta de propósito no passeio de Davi é demonstrada na forma verbal hebraica, que indica um andar de um lugar para outro sem ir a lugar nenhum. O despropósito nos leva à ruína. O Salmo 119, além de muitos outros textos, trata da importância de se meditar na Palavra de Deus para não pecar contra o Senhor. Como os olhos do rei se desviaram da Palavra de Deus, viram o que não deviam ver. Como sua mente não estava nas ‘coisas do alto’ (Cl.3.2), fixou-se nas coisas que são da terra. Quando um casal não desenvolve o hábito de conversar sobre as coisas de Deus e de meditar na Sua Palavra mais cedo do que pensa será ‘alvo dos dardos inflamados do maligno’ na área conjugal. A lição é: é preciso investir tempo diário na meditação da Palavra de Deus, preferencialmente em companhia do cônjuge.


4. Quarto sinal: Davi deixou-se dominar pelos impulsos da carne e não teve autodomínio, v.2. O texto diz que o rei, de onde estava, ‘viu uma mulher’ que se banhava. Mas o seu vislumbre torna-se olhar fixo. Seu olhar mais atencioso é expresso nas nossas versões pela frase: “mui formosa”. Enquanto olhava detidamente a mulher, sentiu-se tentado. A tentação em si mesma não é pecado. Ceder a ela é que promove o pecado. As tentações começam em nossas mentes. É da imaginação que vem o desejo. Do desejo é que vem a decisão e, dela, a ação. Uma vez consumada a ação (em palavras, atos, ações e reações) vem a morte, isto é, a separação de Deus, o pecado, cf. Tg.1.13-15. Ora, Davi cedeu à sua mente e agiu conforme seus impulsos, pecando contra o Senhor. A lição é: Devemos desenvolver o domínio próprio, que é fruto da plenitude do Espírito Santo e render nossas mentes a Ele, cf. Gl.5.1-25;Rm.12.1,2; Ef.4.23; II Co.10.5;Fp. 4.8; Cl.3.1,2.


5. Quinto sinal: Davi aproximou-se de Bete-seba,v.3,4. A aproximação de Davi contou com o fator facilitador do ‘poder’, afinal, ele era rei de Israel. O ‘status quo’ também é um fator de sedução. Muitos, infelizmente, são os casos até de pastores que se envolvem em relações extraconjugais pelo ‘status’ que detém. Para concluir a questão, há um outro fator na sedução que precisa ser ressaltado que não está presente na história de Davi, mas pode estar na nossa. Muitos casos extraconjugais começam com uma boa amizade, que dá lugar a alguma intimidade emocional (conversas íntimas), segredos, acordos mútuos (iniciados como simples fato de não contar aos outros acerca dos momentos a sós). O tempo gasto em companhia de uma pessoa que não é seu cônjuge se mostra prazeroso, depois se mostra indispensável, e finalmente acaba por incluir intimidade física e sexo. A lição é: devemos estar atentos com a nossa motivação em relação à aproximação das pessoas e, em especial, com pessoas do sexo oposto, cf. Mt.5.28.

É preciso que tomemos alguns cuidados além dos descritos acima. Primeiramente é preciso que cuidemos do nosso coração, pois ele é fonte de adultério (Mt.15:19). Não podemos menosprezar a nossa velha natureza se quisermos que nosso coração seja fonte de vida. Em segundo lugar, é preciso mortificar a natureza carnal (Cl.3:5 segs.) evitando a pornografia, os devaneios sensuais ou conversação indecente a todo custo e alimentar a nossa mente com a Palavra de Deus. Depois, devemos fugir do pecado da infidelidade como José fugiu da mulher de Potifar, não importa o que fique para trás. Só posso terminar com as palavras do autor de Hebreus: “honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula” (13:4).

Silas Roberto
Soli Deo Glória.

[1] Revista da Folha de 07/10/2007, pág. 68
[2] O divórcio não foi instituído na legislação mosaica, mas regulado. É bom notar que em Mateus 19:1-12 o Senhor Jesus diz que Moisés “permitiu” o divórcio e não que o instituiu, como diziam os fariseus, v.7.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

“O Príncipe dos Puritanos”


Autor: Silas Roberto Nogueira

John Owen nasceu em 1616, na vila de Standhan, Oxfordhire, onde seu pai fora pastor. De seu pai sabemos que era um “não conformista toda a sua vida e um laborioso trabalhador na vinha do Senhor”[1] , entretanto, da sua mãe, dos três irmãos e uma irmã nada sabemos. Precoce, aos dez anos foi enviado para a escola que o prepararia para ingressar na Universidade (Queen’s College, Oxford), fato que se deu quando ele tinha apenas doze anos, 1928. Tinha só 16 anos quando recebeu o seu diploma de Bacharel em Artes (B.A., em 1932) e 19 anos quando obteve o Mestrado (M.A., 1635). Era tão aplicado aos estudos que não se permitia mais que 4 horas de sono por noite.
Após ter sido transferido para Londres em 1637 por objetar os estatutos de William Laud (1573-1645), bispo anglicano que se opunha à causa dos puritanos, algo de surpreendente lhe ocorreu. Num domingo de 1642, acompanhado de um primo, Owen decidiu ouvir o famoso pregador presbiteriano Edmund Calamy, na Igreja de St. Mary Aldermanbury. Um contratempo evitou que Calamy pregasse e um outro pregador o substituiu. Embora seu primo insistisse em ir embora, Owen permaneceu e ouviu o simples pregador tomar Mateus capítulo 8:26 (“por que temeis, homens de pouca fé”) para expô-lo. Usando esse simples pregador, Deus operou no coração de Owen algo maravilhoso tirando-lhe toda dúvida, temores e certificando-o da veracidade da sua regeneração e da sua salvação, imprimindo-lhe profunda paz. Em 1643, depois de estudar profundamente o arminianismo, escreveu seu primeiro livro cujo titulo é paragrafal “A Display of Arminianism: being a Discovery os the old Pelagian idol, free-will, whit the gooddess, contingency, advancing themselves into the throne of God in heaven to the prejudice of His Grace, providence and supreme dominion over the children of men” (Uma Demonstração do Arminianismo: sendo uma descoberta do antigo ídolo pelagiano, o livre-arbítrio, com uma nova deusa, a contingência, avançando eles mesmos para o trono de Deus no céu, para prejuízo de Sua graça, providência e domínio supremo sobre os filhos dos homens). A partir de então, Owen não parou mais de escrever, sendo que suas obras, totalizando 24 volumes, são até os dias de hoje uma fonte de edificação e benção.
Em 16 de julho de 1643, Owen tornou-se pastor de uma pequena igreja em Fordhan, Essex. Em 1644 casou com Mary Rooke que lhe deu 11 filhos dos quais nenhum sobreviveu a ele. Uma de suas filhas que alcançou a idade adulta, após um casamento fracassado, morreu em sua casa de tuberculose. Owen experimentou a inenarrável a dor de sepultar todos os filho e, mais tarde, a sua esposa com quem esteve casado por 31 anos.
Em 1646 ele foi chamado para assumir uma congregação em Londres, cuja freqüência era de duas mil pessoas [2]. No mesmo ano foi convidado para pregar no Parlamento oportunidade que lhe abriu caminho na política. Em 1647 Owen escreveu A Morte da Morte na Morte de Cristo, sobre o qual comenta James Packer “é uma obra polêmica, cujo intuito é mostrar, entre outras coisas, que a doutrina da redenção universal é antibiblica e destrutiva do evangelho”.[3]
Em 1648 pregou à tropa sob comando do General Fairfax, quando conheceu o genro de Cromwell. Mais tarde, Oliver Cromwell (1599-1658), líder do governo na ausência do rei, fez de Owen seu capelão e em 1651 o indicou como Deão (Universidade) da Igreja de Cristo, em Oxford. Depois, em 1652, foi indicado Vice-Chanceler. A Universidade estava num estado lastimável naqueles dias, mas o talento administrativo de Owen a reorganizou com êxito. Além das suas responsabilidades administrativas, era ainda responsável pela pregação e uma infinidade de coisas. Ainda assim encontrava tempo para escrever e nesse período produziu pelo menos 22 obras! Uma delas, sobre a Perseverança dos Santos, de 1654, com mais de 600 páginas! Outras obras foram Sobre a Mortificação do Pecado nos Crentes (Of the Mortification os Sin n Believers, 1656), Sobre a Comunhão com Deus (Of Communion whit God,1657) e Sobre a Tentação: A Natureza e o Poder dela (Of Temptation: The Nature and power os It, 1658).
Em 1658, ao lado de Thomas Goodwin, Phili Nye, William Bridge, W. Greenhill e Joseph Caryl (ex-membros da Assembléia de Westminster) participou de um congresso de ministros congregacionais, no Savoy Palace, Londres. O objetivo da conferencia era preparar uma confissão de fé como a de Westminster, que ficou conhecida como A Declaração de Savoy.
Mary Rooke, sua esposa, faleceu em 1675 e Owen contraiu novas núpcias dezoito meses depois com uma senhora de posses. Em 1657 deixou a Vice-Chancelaria da Universidade, dois anos depois da morte de Cromwell, 1660, deixou de ser o Deão. A partir de 1660 liderou os independentes “através dos amargos anos de perseguição. Foi lhe oferecida a presidência de Harvard, mas ele rejeitou a oferta.”[4]. Em 1681 esteve gravemente enfermo e isso o obrigou a tomar tempo para meditação, o que resultou em mais uma obra A Graça e o Dever de Pensar Espiritualmente (The Grace and Duty os Being Spiritually Minded, 1681).

Em 24 de agosto de 1683 John Owen falecia após sofrer algum tempo com a asma e cálculos biliares.Ele foi enterrado em 4 de setembro, no Bunhill Fields, Londres.

Erroll Hulse declarou : “os escritos de Owen revelam uma mente analítica, formativa e majestosa. Fundamental em toda a sua obra é o apego profundo às doutrinas da graça.”

James I. Packer referindo-se a Owen disse: “em uma época de gigantes [a dos puritanos], ele sobrepunha a todos.”

Por Silas Roberto Nogueira
Soli Deo Gloria!

Recomendo a leitura:
(resumos das obras de Owen publicadas em português)
Pensando Espiritualmente (PES)
Por quem Cristo Morreu (PES)
A Tentação e A Mortificação do Pecado (PES)
A Glória de Cristo (PES)

Para mais informações sobre os Puritanos:
Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse, (PES)
Os Puritanos, Suas Origens e Seus Sucessores, Lloyd-Jones (PES)
Entre os Gigantes de Deus, J. I. Packer, (FIEL)
Santos no Mundo, Leland Ryken (FIEL)


[1] Os Puritanos, suas origens e sucessores, Lloyd-Jones, pág. 88 (PES).
[2] Quem foram os Puritanos, Erroll Hulse, pág. 166 (PES)
[3] Por Quem Cristo Morreu?, pág.5 (PES)
[4] Entre os Gigantes de Deus, pág. 208 (FIEL)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

A. W. Pink

A. W. Pink
Por Silas Roberto Nogueira

Arthur Walkington Pink nasceu em Nottinghan, Inglaterra, em 1 de abril de 1886. Embora tendo sido dedicado a Cristo por seus pais antes do seu nascimento, militou durante algum tempo da sua mocidade no movimento teosófico. Aos 22 anos, convertido ao evangelho, sentiu-se chamado ao ministério. Em 1910, aos 24 anos, cruzou o Atlântico para estudar no Instituto Bíblico Moody, em Chicago, mas dois meses depois aceitou o convite para trabalhar o ser pastor de uma igreja (batista) em Silverton, Colorado, abandonando o curso.


Autodidata, adotou o calvinismo como posição teológica. Em 1916 casou-se com Vera E. Russell. Pouco se sabe, além da suspeita de aparente insucesso, da sua experiência pastoral antes de se tornar um professor itinerante da Bíblia em 1919. Em 1922 começou uma revista mensal que lidava exclusivamente com a exposição bíblica chamada “Studies in Scripture” (Estudos nas Escrituras). A revista nunca teve mais que mil assinantes, mas Pink descobriu que a maioria deles eram ministros e que passavam o que haviam aprendido das suas exposições a seus rebanhos, o que lhe agradou muito. De 1925 a 1928 ele esteve na Austrália, pastoreando, pregando e escrevendo. Ainda em 1928 retornou à Inglaterra e em mais tarde, 1929, retornou aos Estados Unidos, onde pastoreou no Colorado, em Kentucky e na Carolina do Sul. Foram oito anos de pastoreios mal sucedidos, que para alguns tinha a ver com sua rigidez doutrinária e sua personalidade difícil.



Depois de algum tempo Pink veio a rejeitar algumas das doutrinas que abraçara anteriormente, após considerá-las à luz das Escrituras. Entre as crenças abandonadas podemos citar o seu rompimento com o dispensacionalismo no início da década de 30, contra o qual escreveu uma série de artigos entre 1933-1934 sob o título Dispensationalism e depois, em 1952, mais cinco artigos sob o título A Study on Dispensationalism (Dispensacionalismo, uma análise, PES). O dispensacionalismo com o qual ele esteve envolvido pode ser definido como “clássico” ou tradicional em contraste com a versão moderna chamada “neo dispensacionalismo” ou “dispensacionalismo progressivo”. Nestes estudos Pink chama sua antiga posição como “método moderno de maltratar as Escrituras”. Contudo, segundo Iain Murray, em “The Life of Arthur W. Pink” (versão revisada e ampliada), página 297, Pink nunca se desvencilhou completamente do dispensacionalismo, de forma que esse sistema influenciou seu pensamento sobre a igreja, considerando assim as igrejas cristãs em geral como estando em estado de apostasia, de tal modo que nunca procurou levar uma vida de membresia regular.

Em 1934 retornou à sua terra natal e em 1940 passou a residir na Ilha de Lewis (Escócia) onde viveu em isolamento até o fim dos seus dias. Nesse período dedicou-se com afinco a escrever e produziu vários livros e milhares de artigos, mas não obteve nenhum sucesso editorial. Seus estudos na Epístola aos Hebreus resultaram em um comentário com 127 capítulos e somam mais de mil páginas! Em 15 de Julho de 1952 Pink falecia, segundo dizem, de anemia Se durante seu ministério, segundo alguns, pouco realizou e, quando faleceu era quase desconhecido entre os evangélicos, após a sua morte o Senhor fê-lo uma influência mundial que contribuiu tanto para a defesa da fé quanto para a edificação dos santos.


Soli Deo Gloria!
Algumas frases de A. W. Pink

“A tendência da moderna teologia — se se pode chamá-la de teologia — é sempre rumo a deificação da criatura ao invés da glorificação do Criador”.

“Não perguntamos: ‘Cristo é seu Salvador', mas: ‘É ele, real e verdadeiramente, seu Senhor?' Se Ele não for seu Senhor, então, com a mais absoluta certeza, ele não é seu Salvador”.

“Submissão é uma aquiescência ao soberano direito de Deus em fazer conosco aquilo que Lhe agrada.”

“Onde não existe o clamor: “desventurado homem que sou!”, deve haver um grande temor de que ali não existe, de maneira alguma, comunhão com Cristo”

“O fundamento de todo verdadeiro conhecimento de Deus deve ser uma clara apreensão mental de suas perfeições como reveladas nas Escrituras. Não se pode confiar, adorar ou servir a um Deus desconhecido”.

“O Deus deste século vinte não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia.”

“O Deus de que se fala atualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da atualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas.”

“Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objeto de culto, só merece desprezo”.

Livros por A. W. Pink

Atributos de Deus, PES
Outro Evangelho, PES
Dispensacionalismo, uma análise, PES
Deus é Soberano, Fiel
Enriquecendo-se com a Bíblia, Fiel

terça-feira, 20 de novembro de 2007

D. M. Lloyd-Jones


Por Silas Roberto Nogueira



David Martyn Lloyd-Jones nasceu no dia 20 de dezembro de 1899, na cidade de Cardiff, País de Gales. Passou a maior parte da sua infância na rural Cardingshire, Llangeitho, onde freqüentou uma igreja dos Metodistas Calvinistas. Em 1914 sua família se mudou para Londres onde concluiu seus estudos na Escola de Gramática de St. Marylebone, depois, em 1916, ingressou na Escola de Medicina do Hospital de São Bartolomeu, formando-se com distinção.


Por seu brilhantismo foi chamado para ser assistente clínico de Sir Thomas Horder, Cardiologista Real, em 1921. “Lentamente, depois de uma profunda luta, sua mente e seu coração foram conquistados pelo evangelho. Ao examinar seus pacientes, ele logo percebeu que seus problemas eram, em primeiro lugar, espirituais, e Deus usou isso para chamá-lo ao ministério cristão.” [1] Em 1926 resolve deixar a medicina, essa decisão “foi resultado de uma aguda compreensão da urgência de se pregar o evangelho para uma sociedade que definhava no pecado, superficialidade de vida e falta de esperança”. [2] Em 1927, recém casado com Bethan Phillips, começou a pastorear, sem nenhum preparo formal em teologia, uma pequena igreja em Sandfields, Aberavon, País de Gales, na qual ministrou até 1938.



Em 1929 quando pregava em Bridgent, South Wales, um ministro local o chamou a atenção ao fato de que a cruz parecia ter pouco lugar em sua pregação e isso provocou uma mudança fundamental em sua vida e pregação. Rapidamente obteve alguns livros sobre a doutrina da expiação de R. W. Dale, P. T. Forsyth e James Denney e lançou-se à sua leitura de modo que causou ansiedade a Sra. Bethan, visto que recusou-se até almoçar. [3] Como resultado de ter encontrado o “coração do evangelho e o segredo do significado interior da fé cristã”, sua pregação mudou e com isso o seu impacto. [4] Em abril de 1938 deixou o pastorado em Sandfields e tornou-se assistente de Campbell Morgan na Capela de Westminster. Em julho de 1943 Campbell Morgan anunciou a sua saída do trabalho pastoral na Capela de Westminster e Lloyd-Jones assumiu, ficando até 30 de maio de 1968.



Franklin Ferreira comenta que “a abordagem de Lloyd-Jones na pregação seguia um método muito claro e distinto. Ele buscava pregar através de um livro da Bíblia, tomando um versículo, ou parte de um versículo por vez, mostrando o que ele ensinava, como aquilo se harmonizava com o ensino do assunto em outras partes da Bíblia, como o ensino todo era relevante para os problemas daquela época e como o ensino todo se contrastava com os pontos de vista contemporâneos vigentes. Sua pregação expositiva tinha como objetivo que Deus falasse o mais diretamente possível ao homem que estava no banco da igreja, a fim de ele sentisse o pleno peso da autoridade divina.” [5] Muito embora os cultos na Capela de Westminster fossem simples com poucos hinos ou avisos e nenhuma saudação a qualquer celebridade,depois da Segunda Grande Guerra a freqüência era de cerca de 1500 pessoas aos domingos pela manhã e 2000 pessoas à noite. Eram pessoas de todas as idades, de toda classe, formação e de vários lugares que vinham ouvir o “Doutor”(era assim que carinhosamente se referiam a ele). James I. Packer comentou que o “Doutor” “foi um pregador assíduo, e um pregador extraordinário”. Sobre o seu ritmo acrescentou Packer que “por mais de quarenta anos ele produziu dois sermões por semana, cada um deles com duração de quarenta a sessenta minutos; e houve uma época em que produziu até três.”[6]



Alguns dos sermões que pregou nos dias em que ministrava em Aberavon, que ficaram guardados em uma caixa de papelão no sótão da casa da família de 1944 a 1981 e foram achados por sua esposa Bethan, foram publicados originalmente em 1983, e no Brasil com o título “Sermões Evangelísticos”, PES, em 1989 (estes sermões são baseados em textos dos Evangelhos). As palestras que proferiu em 1947 no Wheaton College, Illinois, EUA, estão no volume “Sincero, mas errado”, Fiel, 1995. Em 1949 fez uma exposição do Salmo 51 cujos sermões foram publicados em “O Clamor de um Desviado”, PES, 1997.


De 1950 a 1952 ele proferiu uma série (sessenta sermões) sobre o Sermão do Monte que foram publicados em Estudos no Sermão do Monte, Fiel, 1987. O interesse de alguns estudantes membros da União Cristã Inter-colegial de Oxford pelos puritanos, no fim da década de 40, fez nascer, na década de 50, a Conferência Puritana, na Capela de Westminster. A primeira dessas conferencias, realizadas sempre às terças e quartas-feiras na semana anterior ao natal, ocorreu em 19 de dezembro de 1950. As palestras que Lloyd-Jones proferiu de 1959 a 1978 estão disponíveis em Os Puritanos, suas origens e sucessores, PES, 1993. Ainda 1950 ele pregou seis sermões em Habacuque, publicados originalmente em 1953, em português sob o titulo “Do Temor à Fé”, Vida, 1985. De 1952 a 1955, o Doutor empenhou-se na exposição das principais doutrinas cristãs, todas às sextas-feiras à noite. Ao todo foram mais de oitenta sermões publicados pela PES em três volumes (somam mais de 1000 páginas!): Grandes Doutrinas Bíblicas: Deus o Pai, Deus o Filho, 1997, Grandes Doutrinas Bíblicas: Deus o Espírito, 1998, Grandes Doutrinas Bíblicas: A Igreja e as Últimas Coisas, 1999. Além disso, de 1952 a 1953, iniciou uma série de exposições no capítulo 17 de João, ao todo 48 sermões, publicados em três volumes em Salvos desde a Eternidade (vers. 1 a 5), Seguros mesmo no mundo (vers. 6 a 16), Santificados mediante a verdade (vers.17 a 19) e Crescendo no Espírito (vers. 20 a 26), todos pela PES. Na época dessas exposições James Packer entendia que Lloyd-Jones estava “num planalto de suprema excelência” (do prefácio de Salvos desde a Eternidade). Entre os anos de 1953 e 1954, nas manhãs de domingo, o Doutor pregou onze sermões sobre o salmo 73, um deles, cujo título é tirado da primeira palavra do vers. 23 “Todavia”, foi especialmente usado para falar a um homem que viajara cerca de 10 mil quilômetros somente para ouvi-lo! Estes sermões podem ser encontrados no livro Por que Prosperam os Ímpios, PES, 1983. Nas manhãs dominicais de 1954, fruto da sua experiência pastoral, pregou 21 sermões sobre depressão, publicados em Depressão Espiritual, PES, 1987. Ainda no mesmo ano começou sua exposição da Epístola aos Efésios, que durou até 1962. Esses sermões formam uma coleção com oito volumes todos publicados pela PES: O Supremo Propósito de Deus – 1:1-23 (1996), Reconciliação, o método de Deus – cap. 2 (1995), As Insondáveis Riquezas de Cristo, cap.3 (1992), A Unidade Cristã – 4:1 a 16 (1994), As Trevas e a Luz – 4:17 a 5:17 (1995), Vida no Espírito: no Casamento, no Lar e no Trabalho-5:18 a 6:9 (1991), O Combate Cristão – 6:10-13 (1991) e O Soldado Cristão – 6:10-20 (1996). Não estou bem certo da fonte, mas parece que alguém perguntou a Lloyd-Jones se de fato havia pregado por cinco anos na Epístola aos Efésios, ao que ele respondeu: “Só cinco anos!”.



De outubro de 1955 a março de 1968 ele ocupou-se à sextas-feiras à noite, com a exposição da Epístola aos Romanos terminando a série com a palavra “paz”, no capítulo 14 versículo 17. Os catorze volumes dessa série foram publicados pela PES: O Evangelho de Deus (cap.1), O Justo Juízo (cap.2:1 a 3:20), A Expiação e a Justificação (3:20 a 4:25), A Certeza da Fé (cap.5), O Novo Homem (cap.6), A Lei: suas funções e limites (7:1 a 8:4), Os Filhos de Deus (8:5 a 17), A Perseverança Final dos Santos (8:17 a 39), Soberano Propósito (cap.9), Fé Salvadora (cap.10), Para a Glória de Deus (cap.11) , O Comportamento Cristão (cap.12), Vida em Dois Reinos (cap.13) e Liberdade e Consciência (14:1 a 17). Em 1959 Lloyd-Jones pregou 24 sermões sobre o tema avivamento, publicados sob o título Avivamento, PES, 1992. De janeiro a março de 1964 ele ocupou-se em expor, em nove sermões, o capítulo 5 de Isaías, publicados sob o título Uma nação sob a Ira de Deus, Textus, 2000. De 1965 a 1968, pregou mais de 100 sermões evangelísticos no livro de Atos dos Apóstolos, publicados pela PES em 6 volumes sob o título de Cristianismo Autêntico. Dessa série, seu último sermão na Capela de Westminster foi sobre Atos cap.8:30 cujo título é Por que Cristo teve que morrer? - o tema que justamente dominou o seu pensamento em 1929, no começo do seu ministério! Ainda no início de 1968 ele adoeceu e entendeu esse fato como um sinal para afastar-se do pastorado, embora ainda tenha pregado por muito tempo, e dedicar—se à literatura, tarefa que desempenho por 12 anos. No mesmo ano pregou na Conferencia do Concílio Evangélico Britânico, sua mensagem foi publicada em Que é a Igreja, PES. Em 1969, em visita aos EUA, deu palestras sobre pregação durante seis semanas no Seminário Teológico Westminster, Filadélfia. O conteúdo dessas palestras está no livro Pregação & Pregadores, Fiel, 1998. Em 1971 deu uma palestra na Fraternidade Médica Cristã, publicada sob o título O Sobrenatural de Deus na Medicina, PES. Ainda nesse ano, pregou na Áustria, em Schloss Mittersill, palestra publicada sob o título Que é um evangélico?, PES. Há um volume com palestras proferidas entre 1942 a 1977 publicadas em Discernindo os Tempos, PES , 1994, onde essa mesma mensagem pode ser encontrada também. Em 1975 esteve numa conferencia da Comissão Geral da União Internacional de Estudantes Evangélicos, realizada em Glen Orchard, em Ontário, onde proferiu três palestras, publicadas por Núcleo, uma editora portuguesa, em Autoridade, 1978.



No início de junho de 1980, Lloyd-Jones pregou na inauguração de uma nova igreja em Barcombe, East Sussex, e parece que esse foi o derradeiro sermão. A doença se agravou, ele perdeu a fala pouco antes de falecer e chegou a escrever, com mão trêmula, num pedaço de papel à sua esposa Bethan e familiares: “Não orem pedindo cura. Não me retenham da glória”. Gesticulava e sorria para comunicar-se até que em 28 de fevereiro de 1981 o “Doutor” faleceu durante o sono em sua casa.

A grandiosidade de sua obra é evidente pelos vários volumes dos seus sermões já publicados por muitas editoras em muitas edições e em diversos idiomas. Isso dificilmente será superado, especialmente no que diz respeito ao impacto sobre a vida dos que originalmente o ouviram e dos que o têm lido em anos posteriores à sua partida. James I. Packer, que teve a oportunidade de ouvir o Doutor no ano letivo de 1948-1949 disse que “nunca ouvira pregações como aquelas” e que elas vieram a ele “com a força de um choque elétrico, revelando, para pelo menos um dos seus ouvintes, mais acerca de Deus do que qualquer outro homem”. John Piper disse que ouviu George Verwer dizer em Urbana’67 que seus Estudos no Sermão do Monte era a obra mais grandiosa que já tivera oportunidade de ler. O próprio Piper, pastor batista reformado, muito apreciado como conferencista e escritor, disse que obteve o Sermão do Monte por Lloyd-Jones em 1968 e declara que nada o impactou tanto. Essa tem sido a experiência de muitos outros em toda parte do mundo, inclusive a minha! Antonio Poccinelli, revisor da PES por quase duas décadas, costumava declarar que o pastor que não lia Spurgeon cometia suicídio teológico. Penso que ele não se oporia se acrescentasse à sua declaração o nome do maior pregador do século XX, D. M. Lloyd-Jones.


O que podemos aprender com Lloyd-Jones?

Qualquer um que visite a Publicações Evangélicas Selecionadas (PES) em S. Paulo certamente ouvirá, em algum momento da conversa com o Sr. Bill Barkley, missionário no Brasil há décadas, as seguintes palavras: “Leia o Doutor Lloyd-Jones” e a razão disso, penso, pode ser resumida no seguinte:

1. Como Lloyd-Jones resgatou o valor e dignidade do ministério com sua vida, aprendemos a valorizar o chamado com uma vida de devoção a Deus;

2. Como Lloyd-Jones priorizou a pregação da Palavra em seu ministério, pela leitura das suas obras aprendemos que a pregação da Palavra é insubstituível;

3. Como Lloyd-Jones era um homem fiel às Escrituras Sagradas, a leitura de seus sermões e preleções nos incentiva a tê-la como nossa regra de fé e prática;

4. Como Lloyd-Jones mostrou o quanto é indispensável o conhecimento doutrinário, ele, pelas suas exposições, nos ensina o quanto a doutrina cristã e crucial para a vida cristã;

5. Como Lloyd-Jones, seguindo o exemplo de Jonathan Edwards, era um pregador do intelecto e do coração, ele nos ensina a valorizar ambos aspectos, de maneira que a vida cristã seja equilibrada;

6. Como Lloyd-Jones era um homem de convicções firmes, a leitura de suas obras nos ajuda a desenvolver convicções firmemente bíblicas;

7. Como Lloyd-Jones era um excelente expositor da Palavra, a leitura das suas obras nos estimula à pregação expositiva;

Além disso, o Doutor nos motiva a um retorno àquelas “velhas doutrinas” da graça, que colocam o homem no seu devido lugar e exaltam um Deus soberano que “tudo faz como lhe agrada” a quem pertence “o louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder .... pelos séculos dos séculos. Amém!”

Vale a pena destacar ainda outras obras disponíveis em português tais como O Caminho de Deus, não o Nosso (PES), Cantando ao Senhor (PES) e D. M. Lloyd-Jones: Cartas 1919-1981 (PES) e que há uma variedade sermões e palestras avulsas editadas pela PES.


Soli Deo Gloria!


[1] D. Martyn Lloyd-Jones: Pregador da Palavra, por Franklin Ferreira, pág. 3,PES.
[2] As Dimensões da Espiritualidade Reformada, por Antonio Carlos Costa, pág. 44, Textus.
[3] Os autores consultados por Lloyd-Jones foram P. T. Forsyth (The Cruciality of the Cross,1909) e James Denney (The Death of Christ, 1903) e R. W. Dale (Expiação, 1875).
[4] A Cruz de Cristo, por John Stott, pág. 5 ,Vida.
[5] D. Martyn Lloyd-Jones: o Pregador da Palavra, pág. 6
[6] Extraído do prefácio por J. I. Packer de Avivamento ,por Lloyd-Jones, PES.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

SÊ CORAJOSO E FORTE

Josué 1:9




Quando estiveres fatigado e triste

e meditares na terrível sorte,

não temas, pois Jesus é teu amigo,

Sê corajoso e forte!



Se te apanharem pelo mar da vida

da dor cruenta o vendaval e a morte,

não desanimes, Cristo está contigo,

Sê corajoso e forte!



Se no trajeto pelo mundo incauto

vires perdida a orientação, o norte,

segue a Jesus e Ele será teu guia,

Sê corajoso e forte!



Se o dissabor que fere a humanidade

no coração abrir-te fundo corte,

pede a Jesus, pois Ele dá o alívio,

Sê corajoso e forte!



Se forem tantas as dificuldades

que a tua força já não mais suporte,

roga ao SEnhor que te mantenha firme,

Sê corajoso e forte!



Se vacilares pela vida escura

e com teu mal o mundo nem se importe,

Ora com fé - e te erguerás contente,

Sê corajoso e forte!



De Gioia Junior, Campo Grande, 1947.