segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Algumas leituras de 2017

Estou publicando apenas algumas leituras de 2017 pelo fato de ter perdido os dados originais numa pane em meu computador. Publicar a lista não significa que indico todos os autores ou mesmo que concorde com eles em tudo. 

Colossenses A suprem e suf. de Cristo
Augustus N Lopes
Vida Nova
A prática da igreja de Deus
Marcos Granconato
Hermeneia
A fé na era do ceticismo
Tim Keller
Vida Nova
Pensadores da Nova Esquerda
Roger Scruton
É Realizações
Vivendo com integridade
Hermistein Maia
Fiel
Quando a vida é uma bobagem
Caio Fábio
VINDE
Em busca de Sentido
Viktor Frankl

Não se perturbe o coração de vocês
D. M. Lloyd-Jones
PES
O cristão e a cultura
Charles Colson
CPAD
A morte da razão
Ravi Zacharias
Vida
Seis sermões contra a preguiça
Tiago Cavaco
Vida Nova
Buscar a vontade de Deus é uma ideia pagã
Bruce Waltke
Vida Nova
Jesus, o Filho de Deus
Don Carson
Vida Nova
Política e púlpito
Jeffrey J, Ventrella
Monergismo
O berçário do Espírito Santo
Daniel Hyde
Puritanos
Cultura Cristã, uma introdução
P. Andrew Sandlin
Monergismo
Depressão e Graça
Wilson Porte Jr
Fiel
Cristão e a Cultura
Charles  Colson
CPAD
Pensadores da Nova Esquerda
Roger Scrouton
É Realizações
Reformado quer dizer missional
Samuel T Logan Jr
Cultura cristã
Crente também tem depressão
David Murray
Puritanos
Pilares da fé
Franklin Ferreira
Vida Nova
A igreja o povo de Deus
Bruce L. Shelley
Vida NOva
Catolicismo Romano
Lloyd-Jones
Castelo Forte
Evangélicos e católicos
Michael Horton
Vida Nova
Os dez mandamentos para os dias de hoje
Philip G. Rayken
CPAD
A doutrina do batismo e alianças
Thomas Patient
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Lições de Mestre
Mark Shaw
Mundo Cristão
Convulsão protestante
Antônio Carlos Costa
Mundo Cristão
Como ser um conservador
Roger Scruton
É Realizações
Teologia Sinfônica
Vern S. Poythress
Vida Nova
Igreja em lugares difíceis
Mez McConnell
Fiel
Mentalidade cristã
John Stott
Vinde
O resgate da Fé Cristã
Carl F. Henry
Monergismo
Evasivas admiráveis Como a psicologia subrverte a moralidade
Theodore Dalrymple
É realizações
O Deus do sexo
Peter Jones
Cultura Cristã
Desejo e engano
R. A. Mohler
Fiel
O evangelho no Trabalho
Sebastian Trager
Fiel
O Israel de Deus,passado, presente e futuro
O. Palmer Robertson
Vida
O culto espiritual
Augustos Nicodemus
Cultura Cristã
Esperança Abençoada
G. E. Ladd
Shedd

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Resistência reformada

Os reformados devem resistir e lutar bravamente:
1. Contra o pragmatismo
2. Contra o anticonfessionalismo;
3. Contra a sedução do crescimento a qualquer custo;
4. Contra a heresia e o espírito da época;
5. Contra o abandono da pregação cristocêntrica;
6. Contra o "evangelismo" por meio de outro evangelho;
7. Contra o culto de entrenimento antropocentrista;
8. Contra o a pseudo-reforma que deforma e deturpa a verdade;
9. Contra a ortodoxia fria e divorciada da vida;
A fé reformada exige homens e mulheres comprometidos com Cristo, firmes e seguros de suas crenças e convicções. Dispostos a sofrer por Cristo, pelo evangelho e pela Igreja. Se alguém se diz reformado e não está num campo de batalha, não sabe ainda o que é a fé reformada.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

SÍNTESE HISTÓRICA DA HERMENÊUTICA

(parte iv)

Silas Roberto Nogueira

Notas de Aula


O Período da Reforma
O movimento a Reforma foi em muitos sentidos um movimento hermenêutico. O domínio da interpretação alegórica que durava séculos é finalmente quebrado. O retorno aos princípios de interpretação antioqueno marca a pregação, o ensino e os princípios dos reformadores. Os reformadores:
·        Criam que a Bíblia era inspirada Palavra de Deus. Assim, consideravam a Bíblia a mais alta autoridade, e a corte final de apelação em todas as questões teológicas. Contra a infabilidade da Igreja, eles puseram a infabilidade das Escrituras.
·     Rejeitaram o sentido quádruplo da Palavra, se opondo à alegorização. Para os reformadores a Bíblia tem apenas um sentido. Quebraram o domínio da alegoria que dominava a interpretação há tantos séculos. Lutero dizia: “as alegorias são especulações vãs...”
·       Deram ênfase ao sentido literal, sentido gramático-histórico do texto. Havia uma preocupação entre os reformadores em chegar ao sentido claro, óbvio e simples de cada passagem das Escrituras. E isto seria feito pela observação cuidadosa da gramática e do contexto. No trato com textos difíceis o caminho comum era a alegorização, mas os reformadores rejeitavam essa via, partiram então para a harmonização desses com textos mais claros. Dizia Lutero “se são obscuras num lugar, são claras em outros”. A Escritura é seu próprio intérprete.
·         Criam na necessidade de iluminação do Espírito Santo. Como os reformadores enfatizavam a natureza sobrenatural das Escrituras, viam na sua natureza espiritual a principal barreira à interpretação. Assim sendo, enfatizavam o papel indispensável do Espírito Santo no processo de interpretação da mensagem bíblica. Tanto para Lutero como para Calvino, nenhuma pessoa poderia interpretar corretamente as Escrituras sem a ação iluminadora do Espírito santo através da própria Palavra.  
·         A necessidade de estudo das Escrituras. Uma das características da Idade Média era a ignorância em relação à Bíblia, não somente por parte do povo em geral, mas especificamente por parte dos líderes religiosos. Naqueles dias eram muito comum doutores em teologia completamente ignorantes da Bíblia. Além disso, os reformadores reconheciam que havia entre as Escrituras e o intérprete o abismo cultural e lingüístico e muito embora reconhecessem a clareza das Escrituras sabiam que algumas dificuldades existiam em relação a alguns textos e que isso só poderia ser superado se o intérprete estudasse e pesquisasse com afinco o texto nas línguas originais e a cultura da época.
·     Linguagem figurada. Embora recusassem o sentido alegórico, não significava isso que repudiavam a alegoria própria das Escrituras. Os reformadores estavam cientes que determinados textos eram mais bem interpretados como sendo figurados. Um dado curioso quanto a isso é que nestes mesmos textos, o romanismo tão achegado à alegorização, fez caminho inverso, ou seja, apelou à literalidade do texto. Por exemplo, os textos referentes à ceia do Senhor. Os reformadores insistiam, com exceção de Lutero, que o sentido da expressão “isto é o meu corpo” deveria ser entendida não literalmente, ao contrário dos adeptos da transubstanciação.

Martinho Lutero (1438-1546) – dizia “quando monge, eu era perito em alegorias. Eu alegorizava tudo. Mas, depois de fazer preleções sobre a Epístola aos Romanos, passei a conhecer a Cristo. Foi assim que percebi que ele não é nenhuma alegoria e aprendi a saber o que Cristo realmente é”.

João Calvino (1509-1564) – dizia “o texto bíblico interpreta a si mesmo”. E mais “a primeira preocupação do intérprete é deixar o autor dizer o que realmente diz, em vez de atribuir-lhe o que achamos que ele deveria dizer”. Este princípio é o da intenção autoral.

Ulrico Zuinglio (1484-1531) – enfatizava a interpretação contextual, por isso dizia que remover um texto do seu contexto  “é como separar uma flor da raiz”.  Quanto ao ministério do Espírito Santo no processo de interpretação acrescenta “a certeza vem pelo poder e pela nitidez da atuação criadora de Deus e do Espírito Santo”. 


William Tyndale (1494-1536) – famoso por sua tradução do Novo Testamento para o inglês, em 1525. Dizia ele “as Escrituras têm apenas um sentido, que é o literal”. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

SÍNTESE HISTÓRICA DA HERMENÊUTICA

(parte III)

Notas de Aula

Silas Roberto Nogueira



A Idade Média
Para alguns a Idade Média foi um deserto sem proporções no campo da interpretação bíblica, para outros, no entanto, havia intensa atividade hermenêutica.
Atribui-se a João Cassiano (370-435) a famosa distinção entre os quatro usos das Escrituras chamada “quadriga” que de certo modo deu o tom da interpretação da Idade Média:
·         -- Histórico (literal) – o sentido óbvio do texto

·         -- Alegórico (cristológico) – o sentido mais profundo, que apontava para Cristo

·    -- Tropológico (moral) – sentido que determinava as obrigações dos cristãos e sua conduta

·         -- Anagógico (escatológico) – sentido que apontava para as coisas vindouras

Gregório, o Grande (540-604) – o primeiro papa da Igreja Católica Romana. Gregório fundamentava a sua interpretação da Bíblia nos pais da Igreja, especialmente Orígenes. Gregório se preocupava com o sentido moral das Escrituras. Suas palestras em Jó são caracterizadas por três níveis de interpretação, a literal, a alegórica e a moral. Jó 1:1-5 é o homem histórico, um homem de grande fé, mas seus sete filhos são os 12 apóstolos (chega-se a isso multiplicando-se 4 e 3), seus três amigos são hereges, as 7 mil ovelhas são os pensamentos inocentes, os 3 mil camelos as concepções vãs, 500 juntas de bois são as virtudes e os 500 jumentos, as tendências lascivas.

Bernando de Claraval (1090-1153)– escritor prolífico do séc. 11 era adepto da quadriga. Em sua obra “Sobre o Amor a Deus”, ele expõe o amor da Igreja a Cristo interpretando Cantares no uso alegórico da quadriga. Um exemplo do exagero de Bernando é a interpretação de Cantares 1:3 onde as “donzelas” (hb ‘almah – virgens) são considerados anjos e a espada em Lucas 22:38 representava o aspecto espiritual (o clero) e material (o imperador).

Tomas de Aquino ( 1225-1274) – alegorizava constantemente, mas também, pelo menos em teoria, considerava o sentido literal o fundamento necessário de toda as exposição das Escrituras.

Nicolau de Lira (1279-1340) – também usava a quadriga, contudo, enfatizava o aspecto literal das Escrituras. Insistia na necessidade de referências ao original, queixando-se do sentido místico “permitido para sufocar o literal”, e exigiu que o último só fosse usado para demonstrar a doutrina. Seu trabalho influenciou profundamente Lutero e consequentemente afetou a Reforma.

Uma das preocupações dos intérpretes medievais era justificar as inovações litúrgicas da Igreja.  O ponto interpretativo central era o lugar da Lei de Moisés nas cerimônias litúrgicas da Igreja. Para justificar seu uso, era preciso alegorizar o texto do VT de forma a permitir que as cerimônias do culto do VT pudessem ser aplicadas ao contexto cristão. Por exemplo, Salmo 74:13 “esmagaste sobre as águas a cabeça dos monstros marinhos” era usado para justificar o exorcismo  através do batismo!

Outra preocupação dos interpretes medievais era o de justificar os dogmas eclesiásticos. Por exemplo, a ressurreição da filha de Jairo diante de poucas testemunhas era usado para justificar a confissão auricular privada  a um sacerdote! De acordo com alguns a passagem “do Senhor são as colunas da terra” (1 Sm 2.8) defendia a existência de cardeais. O Salmo 7.8,8 foi usado por Antônio, bispo de Florença, para provar que Deus havia posto todas as coisas debaixo dos pés do papa.

Ainda outro objetivo da interpretação medieval era justificar o surgimento de ordens monásticas. Por exemplo, as duas varas mencionadas em Zacarias 11.7 eram interpretadas como se referindo aos franciscanos e aos dominicanos.


Com objetivo de proteger a usurpação hierárquica, os monges, bispos e padres exageravam o fato de que existem passagens obscuras na Bíblia e assim a mantiveram longe do povo. A Bíblia foi transformada em um livro fechado, cujo sentido somente os bispos, monges e padres podiam desvendar.